SÃO PAULO - A produção brasileira de leite no Brasil fecha o ano com crescimento de 7,3%, atingindo 19,021 bilhões de litros. A estimativa, divulgada ontem, é da Associação Brasileira dos Produtores de Leite B (ABPLB), a partir de dados da Fundação Instituto Brasileira de Geografia e Estatística e da Confederação Nacional da Agricultura. Em 1995 o crescimento havia sido de 12%. O consumo per capita anual passou de 95,9 litros antes do Plano Real para 130 litros este ano.
Apesar do aumento, o setor amarga a clandestinidade. É esperada redução de 5% na venda de leite pasteurizado. Serão 20% menos no tipo A, 12% no B e 5% no C. Além do maior comércio informal, o crescimento também é atribuído à maior participação do mercado do leite longa vida, que não se enquadra na classificação tradicional, e que aumentou sua fatia a 30%, segundo a ABPLB.
A Associação do Longa Vida avalia que a participação no mercado no leite fluído passou de 25% no ano passado a 38% este ano, atingindo 1,7 bilhão de litros, crescimento de 65% em volume. Para o próximo ano a expectativa é ampliar a fatia para 48%.
SELO - Cerca de 40% do leite vendido no País é clandestino. A Associação do Leite B sugeriu a instituição de um selo de qualidade para controlar a produção, a partir de um cadastro dos produtores. Os estudos técnicos, com a participação do Ministério da Agricultura, devem estar concluídos em meados do próximo ano.
O presidente da ABPLB, Jorge Rubez, afirmou estranhar que ‘‘determinadas marcas de longa vida, que têm embalagem mais cara, sejam vendidas a preço inferior ao do tipo C, em tese a matéria-prima do produto’’. O presidente da Associação do Longa Vida, Almir Meirelles, diz que a matéria-prima e a embalagem não são os únicos fatores de composição de preço. As empresas buscam o lucro obervando a linha de produção como um todo e eventualmente ‘‘o preço cai graças a promoções e em períodos de safra’’, afirma.
Segundo o vice-presidente da ABPLB, Roberto Jank, os preços ao produtor se mantiveram estáveis, em média de US$ 0,33 o litro para tipo B e US$ 0,24 para o C. A produção de leite B terá incremento de apenas 1,5%, atingindo 806 milhões de litros este ano.
Nos últimos dois anos as importações superaram a média histórica. Foram 3,2 bilhões de litros em 1995 e 2,3 bilhões este ano. A média 1980-95 ficou em cerca de 1 bilhão de litros. As compras externas de leite em pó foram feitas principalmente dos países do Mercosul (45%) e da União Européia (36%). Rubez atribui o aumento à importação de produto subsidiado (no caso europeu) e a operações de ‘‘dumping’’ (no Mercosul).

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