Agência Estado
De São Paulo
A produção de jóias no Brasil está puxando o crescimento do mercado latino-americano de ouro, revela o estudo ‘‘Joalheria de Ouro no Brasil’’, do BNDES. Entre 1994 e 1998, a produção da indústria da joalheria no País aumentou 11,5% ao ano, ao mesmo tempo em que o consumo interno de jóias mais do que dobrou no período, passando de 26 toneladas para 54 toneladas. Em toda a América Latina, o crescimento anual na produção de jóias é de 13%.
Na avaliação de Nielsen Cohn, vice-presidente da Associação dos Joalheiros do Estado de São Paulo (Ajesp), o consumo está crescendo porque, com o alto preço das roupas, a jóia já não parece ser tão cara. ‘‘Hoje, ela é vista como uma peça de vestuário’’, afirma. Há cerca de três anos, a tendência no País tem sido de fazer jóias para o dia-a-dia, de custo menor. O ouro, segundo o levantamento do BNDES, está perdendo importância como reserva monetária e hedge financeiro, mas ganha valor em termos industriais.
O Brasil é, hoje, o maior mercado para a indústria do ouro na região, superando o México, onde o consumo de jóias foi afetado pela crise econômica de 1994. O estudo ressalta que, apesar do crescimento da indústria joalheira no País, a produção atual, de 26 toneladas, ainda é bastante reduzida, considerando o potencial brasileiro de produção de ouro.
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos mostra que os principais entraves ao desenvolvimento da indústria de joalheria são tributação excessiva, concorrência do mercado informal, escassez de mão-de-obra qualificada nas áreas de modelagem, concepção de jóias, técnicas de vendas e gravação. Em 1998, o País produziu 57,5 toneladas do metal. Dados do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) indicam potencial mineral de 1.900 toneladas.