Curitiba - O agronegócio começa a recuperar as perdas sofridas nos últimos dois anos com um novo recorde na produção de grãos na safra 2006/2007. De acordo com os dados apresentados ontem pelo secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, o crescimento deverá ser de 30% a mais do que no ano passado, atingindo 30,31 milhões de toneladas de grãos (contra 23,4 toneladas na safra 2005/2006).
''Tivemos um problema na safra de verão, que foi a produção do feijão. A safrinha de milho conseguiu atingir 1,3 milhão de hectares plantados e as chuvas voltaram ao normal. Estamos esperando novas medidas como o pacote do governo Lula para o trigo - onde chegaremos a 1 milhão de hectares plantados. A nossa previsão é muito otimista'', afirmou Bianchini.
No caso do milho safrinha, a ampliação da área plantada chegou a 36,8%. A soja também teve recuperação na produção, podendo superar o recorde alcançado na safra 2002/2003 quando a colheita de grãos foi de 30,37 milhões de toneladas. ''Isso tudo ajuda a recuperar o déficit do agronegócios dos últimos dois anos. E traz a retomada de investimentos. Estamos numa fase de investimentos com cautela por parte dos produtores rurais. Não é um momento de festa. Mas os indicadores apontam para o crescimento do agronegócio'', disse ele. Bianchini lembrou que alguns pontos precisam ser recuperados ainda para que a produção seja ainda melhor: a questão da sanidade animal é fundamental (retirando o Paraná do rol de estados que podem ser foco de febre aftosa na produção de bovinos).
Bianchini acredita também que o ano de 2007 será favorável para os agricultores que apostaram na agroindústria e na diversificação de culturas. Em parceria com outros órgãos, a Secretaria pretende agora fazer estudos junto aos produtores para tornar as terras mais produtivas - sem que haja necessidade de prejudicar o ambiente (com corte de florestas e queimadas - que terão que ser eliminadas). ''Nós tivemos problemas anteriores no agronegócios por conta das condições climáticas. Temos que fazer algo para evitar que novos riscos de prejuízos ocorram por conta das anomalias que ocorrem devido ao aquecimento da terra. Temos que tomar medidas de médio, longo e curto prazos. Isso se faz, estudando o manejo do solo, o plantio direto, incentivando culturas como o café adensado, as variedades precoces. Precisamos viver com os veranicos - prevendo formas de retenção de água como mini-barragens, açudes, preservação de matas ciliares e diversificando nossa matriz energética'', ponderou o secretário.
Áreas como as do Centro Sul e do Vale da Ribeira serão priorizadas no sentido de alavancar um conjunto de medidas para que a renda seja mantida no campo, com projetos de equilíbrio entre agricultura e florestas. O secretário de Estado de Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, prevê que os tratores tenham que migrar para combustíveis menos poluentes (como biocombustível).

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