Produção de games é destaque na Intuel
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segunda-feira, 24 de abril de 2006
Eli Araújo<br>Reportagem Local 
A criatividade é um requisito mais do que necessário nos dias de hoje. E o jovem que gasta seus neurônios para desenvolver uma idéia, nem sempre encontra condições adequadas para atingir seus objetivos. A Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel) - está justamente conseguindo resultados surpreendentes ao oferecer apoio a jovens empreendedores.
E motivação é o que não falta para esta moçada. A Intuel conta com empresas que desenvolvem projetos em diversas áreas, mas o destaque fica mesmo por conta dos produtores de games para celular e computador, nos quais os jovens esbanjam criatividade. Alguns desses games já conquistaram, inclusive, alguns países da Europa.
Este é um detalhe que não estava nos planos da Intuel, quando a incubadora surgiu, há dez anos, em uma pequena sala nos fundos da biblioteca da universidade. A Intuel cresceu tanto que o empresário Atsushi Yoshi doou um prédio para abrigar a organização. E o espaço atual também já está pequeno e deve ser ampliado a curto prazo.
A diretora geral da Intuel, Cleusa Rocha Asanome, afirma que hoje não somos mais um programa ou um projeto; tornamo-nos um habitat de inovação e de empreendedorismo.
O trabalho da Intuel é abrangente. Começa com a avaliação de um projeto, que, se aprovado, entra no processo de pré-incubação, o que dura um ano, podendo se prorrogar por mais um ano. A fase de incubação também é de um ano, mas este tempo está sendo revisto porque algumas experiências demoram mais para serem executadas. Quando passa o período de dois ou três anos, começa a fase de pós-incubação. Nesta etapa, a empresa deixa a Intuel e parte para um local próprio.
Além disso, as empresas incubadas recebem orientações sobre empreendedorismo; há uma estrutura para proteger os conhecimentos e tecnologias gerados na Intuel e um escritório para ajudar nas negociações, ou seja, na busca do cliente final.
Na opinião da diretora do órgão, Londrina tem tudo para desenvolver qualquer área do conhecimento. Mas entre todas as áreas, a que está em evidência no momento é a de games: Aqui é um berço para essa área; a região é altamente promissora.
Há uma série de detalhes que favorecem a produção de games em Londrina, como por exemplo, os cursos de design e de computação gráfica, a qualidade da mão-de-obra e a existência de pessoas altamente criativas.
Uma das empresas que desenvolvem games para telefones celulares é a Bender Mobile Solutions. De acordo com Ulder Carrilho Júnior, um dos sócios da empresa, quatro games já estão no mercado e outros quatro estão em fase de desenvolvimento, sendo dois deles em três dimensões. Os games em 3D serão comercializados também na Europa. A gente não conhece quem faz isso (games em 3D) no Brasil, afirma Ulder.
A Bender está trabalhando agora em um novo projeto, que são aplicativos para lanchonetes e restaurantes. Um desses aplicativos consiste na transmissão de um pedido direto do garçom à cozinha via celular.
A Oniria é outra empresa que trabalha com games, mas para computador. Ela nasceu na Intuel em 2001, se expandiu, criou fama internacional e hoje está instalada em um amplo espaço no centro da cidade, onde trabalham 20 pessoas.
O primeiro game vendido no mercado brasileiro foi o Impacto Alpha, que em 2002 chegou a três países da Europa. Em 2004, a Oniria vendeu para a Alemanha o game infanto-juvenil Gangue dos Cavalos, que atingiu o décimo lugar em vendas do gênero naquele País. E tudo isso criado em Londrina, enfatiza o diretor de negócios Juliano Barbosa Alves, de 28 anos. Agora estamos iniciando um trabalho focado no mercado internacional, afirma. No ano passado, a Oniria desenvolveu um jogo de futebol on-line para a Coca Cola Company.
Existem ainda outros dois projetos que chamam a atenção na Intuel. Um é o computador de bordo para foguetes experimentais, destinado a cientistas que fazem lançamento de foguetes ou balões para sondagem atmosférica e que precisam de controle e gravação de dados. O projeto é desenvolvido pela Jaguar Aeroespacial.
O segundo projeto é a produção de anticorpos, a partir de ovos de galinha, e que podem ser utilizados na prevenção e tratamento de doenças veterinárias e humanas. O projeto está em fase de desenvolvimento pela IgY Biotecnologia.


