Produção de frangos deve ser reduzida
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sexta-feira, 28 de junho de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A produção de frangos de corte no País deverá ter uma queda de pelo menos 15% a 20% nos próximos meses. Esse é o volume que as agroindústrias consideram necessário para ajustar o mercado diante da queda nas vendas tanto no mercado interno como nas exportações, argumenta o presidente da Associação dos Abatedouros Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Muniz.
Ele estima que das 325 milhões de aves que abatidas este ano no Paraná, está havendo uma sobra de aproximadamente 35 milhões de aves. Esse volume que antes era destinado para abastecer o consumo no mercado interno e também para atender o aumento das exportações, está ficando encalhado. Isso obriga as indústrias a trabalharem no vermelho porque frequentemente desovam a produção a preços abaixo do custo, alega o empresário.
Muniz diz que os primeiros reflexos do descompasso entre a oferta e o mercado foram detectados no mês de maio. Desde então, as indústrias vêm promovendo uma retração na produção, que deve continuar nos próximos meses até o mercado se ajustar.
Muniz associa a redução nas vendas de frango no mercado interno à queda de renda do trabalhador brasileiro, que passou a economizar em itens básicos como alimentação. No cenário externo, o empresário admite que as expectativas de exportações para a Europa eram animadoras. Mas muitas indústrias que apostaram no aumento das exportações e ampliaram a produção não contaram com a autoproteção por parte dos países da União Européia.
Primeiro os países europeus quiseram sobretaxar o frango brasileiro em 75%. Como não conseguiram, agora estão exigindo a adição de cloreto de sódio (sal de cozinha) numa proporção de 2,2% por peça, o que dificulta a produção nacional, afirma Muniz.
De acordo com dados da Avipar, a produção de frango no período janeiro a maio de 2002 acumula uma alta de 9,1% em comparação com o mesmo período do ano passado. Além da oferta de frango superar a demanda, as empresas que trabalham com integração na criação de frango estão enfrentando o drama da alta do milho, o principal insumo do setor.
Atualmente a saca de milho de 60 quilos é comercializada a R$ 14,60 contra R$ 8,96 que era o preço praticado em junho do ano passado. Enquanto o milho subiu 71%, o preço do frango resfriado caiu 4,1%, passando de R$ 1,46 o quilo para R$ 1,40 o quilo.


