Milton DóriaGiro rápidoCoelho: o negócio de plantar flores é rentável e movimenta dinheiro todas as semanasProduzir flores para atender à demanda regional e buscar mecanismos que viabilizem a comercialização dessa produção foram os principais pontos discutidos terça-feira durante a assembléia para criação da Associação dos Plantadores de Flores e Plantas Ornamentais do Norte do Paraná. Cerca de 70 pessoas, 27 produtores de flores e 43 iniciantes, estiveram reunidos no Auditório Milton Alcover, no Parque de Exposições Ney Braga.
Durante a assembléia, foram diagnosticados os principais problemas para o desenvolvimento da produção de flores na região. Segundo o coordenador regional da Emater Gervásio Vieira, o Norte do Paraná tem condições de produzir volume suficiente para atender o mercado regional. Mas a comercialização tem sido difícil, principalmente pela pouca diversidade de espécies. ‘‘Empresas como a Holambra, por exemplo, entregam grandes volumes de diversas variedades. Isso facilita a comercialização. E 90% das flores vendidas aqui acabam vindo de São Paulo’’, explica Vieira.
A produção de flores no Brasil movimentou R$ 800 milhões em 1996 internamente, e R$ 30 milhões no mercado externo. São 22 milhões de dúzias de rosa, 6 milhões de pacotes de crisântemo de corte e 18 milhões de vasos de violeta por ano. Segundo Vieira, no Paraná não existem estatísticas sobre o cultivo e o mercado de flores.
As estratégias a serem adotadas pela Associação vão garantir aos produtores norte-paranaenses e aos iniciantes uma nova opção de produção e até de diversificação da atividade rural. ‘‘A área para cultivo de flores é relativamente pequena e a perspectiva de retorno é bastante positiva’’, explica Vieira.
O agricultor Manoel Flois Coelho está na atividade há oito meses. Segundo ele, a floricultura pode ser uma excelente alternativa de diversificação. Em 0,5 ha, Coelho cultiva 2 mil vasos de violetas. ‘‘Os investimentos iniciais são altos, porque a violeta deve ser cultivada em estufas climatizadas, mas, em dois anos, esse valor já foi recuperado’’, argumenta.
Para Coelho, outra vantagem de produzir flores é a circulação de dinheiro. ‘‘Com a soja, por exemplo, temos retorno financeiro uma vez por ano. As flores dão retorno semanal. Dessa forma o produtor rural tem mais segurança’’, afirma. O custo de produção da violeta é de cerca de 60% e para começar a render essa flor leva oito meses.
São as flores que garantem há 20 anos o sustento da família Takamura, de Londrina. Para o produtor Sandro Takamura, trabalhar com flores é um bom negócio. Numa área de 3 ha, ele cultiva 80 mil vasos de crisântemo, 3 mil pacotes de crisântemo de corte, 6 mil dúzias de palmas e 3 mil dúzias de rosas. Essa produção é comercializada em floricultura própria, que atende Londrina, nos períodos normais, e toda a região nas épocas de pico.
Durante os períodos de pico - Finados, Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados - a produção semanal de Takamura aumenta de 700 vasos de crisântemo, por exemplo, para 40 mil. ‘‘O custo máximo da nossa produção é de 40%’’, afirma. Ele acredita que a produção de flores possa ser alternativa de diversificação rural, mas lembra que essa cultura exige cuidados especiais e atenção redobrada.
Segundo Takamura, a criação da Associação vai ser um fato importante para a cultura de flores na região. Os primeiros passos a serem tomados pela entidade são a criação de um Centro de Comercialização, o monitoramento da produção de forma que haja variedade e quantidade para ocupar o mercado regional, a busca de financiamento junto ao Governo, a garantia de assistência técnica para os produtores - que provavelmente será feita pela Emater - e o intercâmbio com produtores de outras regiões, estados e países.
A reunião instituiu uma comissão que vai trabalhar o estatuto e encaminhar a documentação da Associação. A primeira votação de instalação da entidade acontecerá em 21 de maio.

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