Genebra - A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimam que a produção de etanol no Brasil aumentará em 135,3% entre 2007 e 2017, passando dos 17 bilhões de litros gerados no ano passado para 40 bilhões, sendo o segundo maior produtor do mundo. Em 2008, o volume produzido no País chegará a 22 bilhões de litros.
As estimativas apontam que a produção mundial de etanol atingirá 125 bilhões de litros em 2017, o dobro do volume em 2007. Entre 2000 e 2007, o volume triplicou, mas partia de níveis mais baixos. Os americanos continuarão sendo os maiores produtores, passando de 21 bilhões de litros em 2007 para 52 bilhões em 2017.
O Brasil elevaria em 75% a área plantada com cana-de-açúcar, será o maior exportador na próxima década, garantindo parte do abastecimento de biocombustíveis aos americanos e europeus. A avaliação aponta que a produção mundial do etanol dobrará em dez anos, mas as entidades apelam para que os subsídios e as barreiras dos países ricos ao comércio de etanol sejam retirados para evitar o impacto negativo no mercado de alimentos. As entidades ainda alertam que os países ricos estariam distorcendo o mercado de alimentos com suas políticas ao setor e afirmam: o etanol teria benefícios ambientais, energéticos e econômicos ''bem mais modestos que o que se imaginava''.
Em sua preparação para a cúpula de chefes-de-estado que ocorre na próxima semana em Roma, a FAO é contundente em sua crítica aos biocombustíveis produzidos, principalmente, nos países ricos. ''A demanda por biocombustíveis é a maior fonte da nova demanda por commodities em décadas e um fator significativo na alta dos preços das commodities agrícolas'', afirmou o relatório. ''A produção de biocombustível deve ser pelo menos duplicada e a pressão sobre a agricultura só vai piorar'', afirmou Jacques Diouf, diretor da FAO.
Para a OCDE e a FAO, está na hora de os países procurarem alternativas, já que os benefícios do atual modelo de produção seriam, ''na melhor das hipóteses, modesto e até negativo''. ''Estamos entendo melhor os custos do etanol que dependem de commodities, do clima e dos métodos. Vemos que os benefícios do etanol são menores que se esperava para o meio ambiente, segurança energética e desenvolvimento rural'', disse, Loek Boonekamp, economista da OCDE.
Segundo ele, governos legitimam seus subsídios baseados, exatamente, nesses aspectos. De fato, a critica principal da OCDE e da FAO é com relação aos subsídios e barreiras ao etanol nos Estados Unidos e Europa. Nesses países, grãos, trigo, vinho e, principalmente, o milho são usados como matérias-primas na produção do combustível. ''Vamos ver os preços dos alimentos dependendo do mercado de combustíveis'', alertou o especialista da FAO, Merritt Cluff.
Segundo as entidades, o problema não seria o biocombustível em si e, prova disso, seria o sucesso do etanol no Brasil. ''No Brasil, que hoje não concede subsídios, vemos a grande potencialidade que o etanol tem'', afirmou Cluff. ''Sabemos que pode gerar renda e empregos'', disse.
Mas as entidades alertam que o bom desempenho do Brasil pode ser limitado diante das barreiras nos países ricos. Angel Gurria, secretário-geral da OCDE, pediu ontem para que um ''maior livre comércio'' fosse estabelecido no setor dos biocombustíveis para evitar as distorções e os impactos negativos no setor de alimentos.
Segundo as entidades, o problema não seria o biocombustível em si e, prova disso, seria o sucesso do etanol no Brasil. ''No Brasil, que hoje não concede subsídios, vemos a grande potencialidade que o etanol tem'', afirmou Cluff. ''Sabemos que pode gerar renda e empregos'', disse.

mockup