Produção de couro deve crescer 23%
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Josiane Schulz Especial para a Folha 
A indústria de couro brasileira está tomando novo fôlego com o crescimento do mercado interno de calçados de couro. Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Calçados, até 1995, a média brasileira estava em torno de 1,7 par de calçado de couro por habitante ao ano. A perspectiva para este ano é que esse número aumente em mais de 70%, e o consumo brasileiro passe para três pares por habitante/ano.
Segundo o diretor da Curtidora Igapó, de Londrina, David Dequech Neto, o crescimento da produção de couro, entretanto, não vai ser proporcional ao aumento do consumo interno, já que as indústrias estão deixando de exportar para atender ao mercado nacional.
Mesmo assim, a estimativa é de um aumento de aproximadamente 23% em relação ao ano passado, que, segundo o Conselho Nacional de Pecuária de Corte, foi de 22 milhões de couros.
A previsão feita com base no aumento de consumo, é de que neste ano a produção nacional de couro fique em torno de 27 milhões de couros, ou 100 milhões de metros quadrados.
Dequech explica que o aumento de consumo de calçados é consequência, principalmente, da redução do custo de produção de calçados. O calçado de couro deixou de ser um produto elitizado. O consumidor brasileiro tornou-se mais exigente, argumenta.
Apesar da indústria de calçados ter passado por momentos de estagnação e até por momentos críticos, durante o governo Collor, quando o Brasil começou a importar calçados da China, que eram de melhor qualidade, a indústria de couro manteve sua capacidade produtiva. No Brasil não se enterra nenhum pedaço de couro, todo ele é curtido. Quando a indústria brasileira não tem capacidade de absorver a produção, ela é exportada.
A melhoria da qualidade dos calçados brasileiros, que hoje, estão em condição de igualdade com os produtos europeus, proporcionou a recuperação da produção industrial.
O reflexo disso na indústria de couro é que ela está em franco crescimento.
A Curtidora Igapó, por exemplo, aumentou sua produção, que era de 16 mil metros quadrados de couro. Atualmente, ela coloca no mercado nacional 25 mil metros quadrados por mês, o que equivale a 140 mil pares de botinas masculinas ou 220 mil pares de sapatos femininos.
A estrutura da Igapó também foi aumentada, com a instalação de uma unidade de curtimento de couro vegetal (curtido com tanino).
Dequech diz que uma das dificuldades enfrentadas pelo setor no Paraná é a aquisição de matéria-prima. Segundo ele, a Curtidora Igapó busca 80% da sua matéria-prima em outros Estados, principalmente da região Central do Brasil.
O abate no Paraná está muito abaixo da capacidade instalada dos curtumes, que é de 25 mil couros por dia, explica. Mas isso não inviabiliza a indústria de couros. O Rio Grande do Sul é o maior produtor do Brasil e praticamente não tem abate, observa.


