Produção de carros fica abaixo do previsto
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quarta-feira, 08 de janeiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo O desempenho da indústria automotiva em 2002 ficou abaixo das estimativas feitas pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que já havia revisado suas projeções para baixo no segundo semestre do ano passado.
Balanço divulgado ontem pela associação mostra que a indústria automotiva produziu 1,775 milhão de unidades de carros comerciais leves, caminhões e ônibus, com uma queda de 2% em relação a 2001. A estimativa da Anfavea era de uma produção de 1,8 milhão de veículos neste ano.
As vendas no atacado (da fábrica para a concessionária) totalizaram 1,487 milhão de unidades, uma queda de 7,1% em relação a 2001. A estimativa da Anfavea para o ano era vender 1,5 milhão de unidades para o mercado interno.
As exportações do setor automotivo no ano passado corresponderam à US$ 3,997 bilhões, uma queda de 3,2% na comparação com 2001. A previsão inicial da Anfavea era exportar o equivalente a US$ 4 bilhões.
Mercado externo Os acordos comerciais com o México e Chile deverão puxar o desempenho do setor automotivo em 2003. Pelo menos é essa a expectativa da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que projeta para 2003 um aumento de 20% nas exportações.
Estimativas divulgadas ontem pela Associação projetam que a receita de vendas para o mercado externo deve saltar de US$ 4 bilhões, em 2002, para US$ 4,8 bilhões, em 2003. Segundo o presidente da Anfavea, Ricardo Carvalho, os acordos com o México e com o Chile começam a ser efetivamente colocados em prática a partir de janeiro deste ano. Eles foram assinados em julho de 2002, mas somente no final do ano passado foram validados pelos dois países. ''Estamos em negociação com a União Européia e amadurecendo novos acordos com a África do Sul e com a China. A Alca, que deve ser postergada pelo Brasil, também deve dar um novo impulso à indústria automotiva. Já o Pacto Andino está prejudicado em função da crise na Venezuela'', explicou Carvalho.
De janeiro a dezembro, as indústrias automotivas exportaram o equivalente a US$ 3,997 bilhões em veículos e máquinas agrícolas, o que significa uma queda de 3,2% em relação ao mesmo período de 2001.
Para o mercado interno, a Anfavea prevê um cenário de estagnação em função de fatores macroeconômicos como a manutenção da taxa de juros em patamares elevados. De acordo com as previsões publicadas ontem pela Anfavea, as vendas de veículos para o mercado interno deverá passar de 1,49 milhão de unidades em 2002 para 1,5 milhão em 2003, um aumento de apenas 1%.
Já a produção de veículos deverá aumentar 6% neste ano, de 1,77 milhão de unidades em 2002 para 1,88 milhão de veículos em 2003. Essa elevação, segundo Carvalho, é justificada pela necessidade de aumento da produção para atender as vendas para o mercado externo, já que internamente o comércio de veículos ficará estagnado.
''O financiamento de veículos depende muito da taxa de juros, então nosso setor fica dependendo muito da taxa de juros'', explicou Carvalho.


