São Paulo - Depois de registrar, em março, um dos melhores desempenhos dos últimos três anos, a indústria automobilística voltou a desacelerar em abril. Produção, vendas e exportações caíram, frustrando expectativas de uma retomada mais consistente. A lenta recuperação da economia, taxas de juros ainda elevadas e aumento de preços inibiram o mercado, segundo as fabricantes. O único resultado positivo foi o de empregos, que fechou abril com 583 novos postos, totalizando 93 mil trabalhadores nas montadoras, número que não era atingido desde julho de 2002.
Foram produzidos em abril 169,9 mil veículos, 11,3% a menos que no mês anterior. As vendas caíram 18,5%, para 115,4 mil unidades, e as exportações tiveram retração de 10,4%, para US$ 625,6 milhões. Já na comparação com igual mês de 2003, os dados são positivos. No acumulado do quadrimestre, também há crescimento de 13,4% na produção, de 6,2% nas vendas e de 58,6% nas exportações.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, reclamou principalmente do aumento dos preços do aço, principal matéria-prima na produção dos automóveis. Em pouco mais de dois anos, o produto ficou 78% mais caro em reais e 45% em dólar. No mesmo período, os preços dos carros nas tabelas aumentaram 40%, mas no varejo só foram repassados 25% por causa da forte concorrência e altos estoques.
Para este mês, as siderúrgicas pedem novo reajuste de 10% a 15%. ''Esta é uma situação crítica e, a esta altura, precisamos envolver o governo'', disse Golfarb. A Anfavea e mais nove associações representantes dos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, entre outros, enviaram ao ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, carta solicitando a intermediação do governo nas negociações com as siderúrgicas para que elas interrompam os aumentos constantes.
Caso não tenham sucesso nas negociações, os setores vão insistir na redução ou isenção da alíquota de importação do aço. O produto chega ao País em média 30% mais caro por causa de impostos e custos logístico e financeiro. Em janeiro, as entidades já haviam feito esse pedido, que não foi atendido. Agora, voltam com um histórico que aponta desaceleração do mercado e perda de competitividade internacional.
Em abril, as montadoras reajustaram os preços dos carros em 2%, em média, alegando aumento de custos de produção. Um projeto para o crescimento do mercado interno, com o objetivo de reduzir a ociosidade do setor, hoje em 43%, está sendo preparado pela Anfavea.

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