A safra de cana-de-açúcar 2000/2001 na região Centro-Sul teve o pior resultado dos últimos cinco anos. Segundo balanço divulgado pela União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), a produção caiu 21,55% ante o período anterior. Foram 57 milhões de toneladas a menos, o que equivale a 4,56 bilhões de litros de álcool ou 6,5 milhões de toneladas de açúcar.
Embora 54,91% da cana-de-açúcar tenha sido destinada à fabricação de álcool, a queda na produção do combustível foi de 32,2%. Esse recuo reflete o sucateamento do canavia, provocado pela crise setorial dos últimos anos em associação com fatores climáticos, como a seca e a geada.
De acordo com dados da Unica, a queda registrada na região Centro-Sul foi maior do que a produção de países tradicionais, como Austrália, México e Tailândia. Superou, também, colheita de 43,7 milhões de toneladas de cana da safra 1999/2000 da região Nordeste do Brasil.
O Estado de São Paulo apresentou o pior desempenho da região. A produção despencou de 194,23 para 148,23 milhões de toneladas, recuo de 23,6%.
Consequentemente, a exportação brasileira de açúcar também sentiu o efeito da queda na produção de cana, apresentando redução de quase 50%. O volume em dólares apresentou um índice de queda menor, 37,21%.
Segundo o presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho, o retrato da atividade na última década tem sido de grande instabilidade. ‘‘A partir da safra 91/92, iniciou-se um processo de retomada da produção de cana para tapar buracos deixados pela crise de abastecimento de 1989, decorrente de pacotes econômicos que embutiam o congelamento de tarifas públicas.’’
A partir de agora, a tendência é de recuperação do canavial, acredita. ‘‘Para que não se repita uma crise de excesso de oferta, é fundamental que os produtores planejem seu mercado’’, recomenda.

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