Rio de Janeiro - O gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, Neuton Alves Rocha, observou que o prognóstico para a safra 2008, divulgado ontem pelo IBGE, mostra um crescimento maior da produção de cana-de-açúcar do que de grãos. A previsão é que safra de cana chegue a 561,8 milhões de toneladas, volume 9,3% superior ao apurado na safra anterior. A safra de soja, por exemplo, deverá crescer 2,0% no período e a de milho 1 safra, deverá aumentar 5,5%.
Rocha disse que a expansão da cana-de-açúcar - cuja área colhida será 8,3% maior do que a safra passada - reflete um aumento do consumo dos derivados desse produto e a mudança na matriz energética, com maior interesse pela energia limpa.
Segundo ele, os aumentos na área de cana estão ocorrendo especialmente onde estão sendo construídas novas usinas, como São Paulo e a Região Centro-Oeste do País e a maior parte ocorre em áreas degradadas, de pastagem. ''Essa expansão é uma tendência, especialmente com as novas plantas em São Paulo e no Centro-Oeste'', disse.
O coordenador de agropecuária do IBGE, Flávio Bolliger, explicou que a cana-de-açúcar tem mostrado crescimento em produção e área em locais tradicionais de cultivo, com São Paulo, mas também em novas regiões de plantio, como o Triângulo Mineiro. Segundo ele, a área de cana está avançando sobre áreas de pastagens, e não de outras culturas, porque a maior parte dos produtos da safra brasileira tem registrado preços que estão estimulando os agricultores. ''O interesse por outras culturas também está bem forte, mas onde são implantadas novas usinas o panorama da agricultura muda, com mais cana'', disse.
Safra
O segundo prognóstico do IBGE para a safra agrícola de 2008, relativo a novembro, estima que a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas será de 137,3 milhões de toneladas, o que representa um valor 3,1% maior que a obtida em 2007.
Segundo o documento de divulgação, as informações da pesquisa do prognóstico representam 85,6% da produção nacional prevista e abrange as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e os Estados de Rondônia, Maranhão, Piauí e parte da Bahia.
No que diz respeito à área a ser colhida, considerados os 11 produtos investigados, a projeção é de 46,9 milhões de hectares, 2,9% superior à área colhida em 2007 (45,5 milhões de hectares). Em termos absolutos, esse crescimento totaliza cerca de 1,3 milhão de hectares.

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