O volume de cana-de-açúcar processado na safra 2012/13 do Paraná caiu 2% em relação à produção de 2011/12, motivado principalmente pela seca. O total da moagem até 31 de dezembro de 2012 foi de 39,667 milhões de toneladas, pouco menos que os 40,458 milhões da safra anterior, de acordo com números da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar).
Na comparação entre os mesmos dois períodos, houve expansão de 7,74% no processamento da região Centro-Sul, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Foram 531,35 milhões de toneladas processadas na safra atual e 493,16 milhões na anterior. O diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, considera a moagem acumulada praticamente o número final da safra. "Pouco mais de dez unidades produtoras permaneceram em operação após 1º de janeiro de 2013, com produção marginal relativamente ao volume total", diz, em nota. Tanto que, dos 20,75 milhões de toneladas processadas em dezembro de 2012, apenas 3,18 milhões foram na segunda quinzena.
O presidente da Alcopar, Miguel Rubens Tranin, afirma que o crescimento no geral se deve a uma maior regularidade de chuvas no estado de São Paulo, que puxou a alta, seguido por Minas Gerais e Goiás. "No Paraná, desde o início da crise houve problemas de diversidade climática e, somados aos baixos preços do álcool, isso estimula um investimento do produtor menor na lavoura", justifica, ao lembrar que é o terceiro ano de dificuldades na safra estadual.
A estimativa inicial era de que o Estado produzisse 40,7 milhões de toneladas, mas o total foi 2,5% menor. Mesmo com a pequena recuperação que a produção deve ter nos próximos dias, devido às chuvas do último mês, a expectativa na Alcopar é de um pequeno acréscimo, que não deve ser o bastante para bater a meta inicial.
Por considerar que o preço do etanol hidratado está baixo no mercado e pelo subsídio do governo para manter o preço da gasolina mais baixo, Tranin critica a política federal para o setor energético. "Esse cenário se deve ao preço do álcool", reclama. Ele afirma que os produtores não se sentem incentivados a investir na lavoura. "A produção só aumentará se houver reajuste, é um dos nossos pleitos. Pelo lado do consumidor seria ruim, mas é preciso aliviar os prejuízos dos produtores."

Expectativa
Tranin afirma que a tendência é que a safra 2013/14 no Paraná seja de 4% a 5% superior à anunciada ontem. "No final da safra atual houve um grande volume de chuva, então deve ter ficado cana para a próxima e a tendência é que comece mais cedo", afirma. O presidente da Alcopar estima o início do corte da cana na segunda quinzena de março e a do ano passado foi em abril.
Sobre o aumento de 20% para 25% da mistura de etanol anidro na gasolina, previsto para julho pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o presidente da Alcopar acredita que a mudança deve ser antecipada. "Em fevereiro, quando tivermos um número mais seguro sobre a safra deste ano, há possibilidade de já começar a usar mistura de 25%", declara. Segundo ele, no Centro-Sul, a expectativa no momento é de chegar a 570 milhões de toneladas de cana, um aumento em torno de 7%, assim como o deste ano.

Imagem ilustrativa da imagem Produção de cana cai 2% no Paraná
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