Depois de ter produzido 48,4 milhões de sacas de café no ano passado, registrando recorde histórico, o Brasil deve produzir de 37,9% a 42% menos este ano. Estimativa divulgada pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) revela que a safra brasileira 2003/2004 será de 27,85 milhões a 30,08 milhões de sacas.
No Paraná, a queda deve ser de 16%, com produção entre dois milhões e 2,1 milhões de sacas. O engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento de Café (Decaf) do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) explicou que a menor oscilação de produtividade ocorre porque o Estado está se recuperando da geada de 2000, quando muitos cafezais foram perdidos. Outro fator é que algumas lavouras novas, plantadas em sistema adensado, começam a produzir este ano.
A redução na produtividade nacional resulta do próprio ciclo bianual do cafezal - que após um ano de boa produção tem seu potencial reduzido na safra seguinte - e do pouco investimento nos tratos culturais. Outro fator é que os baixos preços da última safra não permitiram que o cafeicultor realizasse todos os tratos necessários, diminuindo o potencial produtivo das lavouras.
A área plantada com a cultura também sofreu redução, passando de 2,31 milhões de hectares (ha) para 2,19 milhões de ha, no País, nas lavouras em produção. Com relação às lavouras em formação (que ainda não estão produzindo), a área caiu de 287 mil ha para 202 mil ha.
''No total, são 200 mil ha. É mais que a área total do Paraná'', comparou. No Estado, as lavouras de café ocupam 135 mil ha, ante 138 mil ha no ano passado. Desde 2000, porém, a redução é de mais de 20 mil ha.
O corretor Marcos Bacceti, de Londrina, revelou que o mercado trabalha com estimativa de produção menor que a divulgada pela Conab. ''A safra nacional deve ficar abaixo de 28 milhões de toneladas'', comentou. Em Minas Gerais, maior produtor nacional, a queda pode chegar a 50%.
Além de não contar com a quantidade suficiente de produção, Bacceti alerta que muitos produtores não terão produto de qualidade para ofertar. ''Faltaram recursos para realizar todos os tratos culturais. É tudo consequência dos insumos caros e preços de mercado baixos'', disse.
Nos estados que já colheram parte da safra, o corretor observou que a renda (quantidade de café em coco suficiente para render uma saca de 60 quilos do produto beneficiado) é menor. ''Isso significa que serão necessários mais grãos de café em coco para uma saca de café beneficiado'', analisou.
Preços A cotação do café fechou com alta de 50 pontos, ontem, na bolsa de Nova York. No mercado interno, o produto de safra nova, com bom aspecto, bebida dura e até 10% de catação, custava de R$ 147,00 a R$ 152,00 a saca. Em janeiro, o café com as mesmas características estava cotado entre R$ 185,00 a R$ 190,00.
Já os lotes de safra nova, bebida dura e até 24% de catação custavam ontem de R$ 145,00 a R$ 147,00; o produto com mais de 24% de catação foi cotado entre R$ 140,00 e R$ 145,00; e o café de safras remanescentes, bebida dura, esverdeado e com bom aspecto era vendido por R$ 138,00 a R$ 142,00.
As informações são do corretor Marcos Bacetti, de Londrina. Segundo ele, grandes mudanças nesses valores dependem de alterações climáticas significativas. ''Hoje, a preocupação é com o frio e possíveis geadas. Mais pra frente, há risco de estiagem.''

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