Produção de café da safra 2007/2008 cai 20,6%
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de dezembro de 2007
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília- Os produtores brasileiros colheram 33,7 milhões de sacas de 60 quilos de café na safra 2007/08, que já foi totalmente colhida, de acordo com o quarto e último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa divulgada ontem confirma queda de 20,6% na produção, o que significa 8,8 milhões de sacas, em relação ao ano-safra anterior, quando os cafeicultores produziram 42,5 milhões de sacas.
''A diferença se deve à bianualidade negativa da cultura, o que resulta em menor produtividade, à estiagem ocorrida no período da floração e ao excesso de chuvas nos meses de dezembro de 2006 e janeiro de 2007. O clima chuvoso propiciou o aparecimento de pragas e doenças nas plantações'', avaliou o diretor de Logística da Conab, Sílvio Porto.
Da produção estimada, 69,6% (23,5 milhões de sacas) é da variedade arábica, mais valorizada no mercado externo, e 30,4% (10,3 milhões de sacas) do tipo robusta (conillon). Em Minas Gerais, maior Estado produtor de café do País, os produtores colheram 15,5 milhões de sacas de café, o que equivale a 45,9% da produção total. O Espírito Santo é o segundo produtor do País e a colheita no Estado foi de 9,6 milhões de sacas.
Apesar do recuo na produção, o governo garantiu o abastecimento interno e as exportações. ''No entanto, nós teremos um estoque de passagem bem inferior ao que temos tido nos últimos anos'', informou, em nota distribuída pela assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura, o secretário-executivo da pasta, Silas Brasileiro.
Porto disse que o tamanho da próxima safra de café, 2008/09, poderá ser melhor quantificado só no mês de abril. A estimativa que será divulgada no dia 8 de janeiro foi feita em novembro e, segundo ele, desde então fatores climáticos podem ter influenciado no desenvolvimento das lavouras. A safra 2008/09 começa a ser colhida em abril, no Espírito Santo.
O diretor do Departamento do Café, Lucas Tadeu Ferreira, do ministério, compartilha a mesma opinião do diretor. A falta de chuvas entre os meses de agosto e setembro atrasou a florada dos cafezais, o que pode comprometer a produtividade final. Porto disse que houve problemas na primeira florada do café, entre os meses de setembro e outubro. A segunda florada, em novembro, foi melhor, disse. ''Conversamos com produtores e a informação é que a florada não vingou.''


