Produção de café brasileiro terá que dobrar
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terça-feira, 19 de julho de 2005
Rolf Kuntz<br>Agência Estado 
São Paulo O Brasil terá de produzir 60 milhões anuais de sacas de café, dentro de 10 anos, para continuar a abastecer 40% do mercado mundial. A produção média foi de 32 milhões de sacas nas últimas três safras. É preciso definir agora qual será a política para alcançar os 60 milhões, disse ontem o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Linneu da Costa Lima.
Essa política poderá exigir, segundo ele, a renovação de uma parte substancial dos cafezais brasileiros, pois há a estimativa de que uns 40% do parque cafeeiro nacional tenham mais de 20 anos e estejam perdendo produtividade.
Não só o governo brasileiro se prepara para cuidar do longo prazo. Em setembro, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, deverá presidir em Salvador a 2 Conferência Mundial do Café. O encontro deverá servir para a prospecção de novas políticas para o setor, depois de uma crise de quatro anos que desempregou meio milhão de pessoas na América Central e agravou a pobreza em países africanos que dependiam da economia cafeeira para mais de 50% de sua receita de exportação.
Embora as cotações tenham aumentado cerca de 40% nos últimos 12 meses, os países produtores apenas começam a sair da crise, disse à Agência Estado o diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), o colombiano Néstor Osorio. É preciso aproveitar o momento, acrescentou, para discutir na conferência internacional questões que vão muito além da rotina. A OIC, explicou, não deve ser mais um instrumento de intervenção e de regulação do mercado, até porque o custo da retenção do produto acaba caindo sobre poucos países, normalmente Brasil e Colômbia, os maiores produtores.
As novas políticas da OIC, segundo seu diretor-executivo, deverão ser voltadas para a promoção do consumo e a melhora das condições da oferta. Será preciso estimular o consumo nos países produtores, nos mercados tradicionais, como os Estados Unidos e a Europa Ocidental, e também nos mercados novos, como a China e a Ásia Central. O trabalho de promoção deverá explorar, entre outros fatores, as pesquisas que vêm mostrando os benefícios do café para a sa©úde.


