Com forte crescimento desde julho de 1999, a indústria alimentícia continua mantendo uma curva ascendente. Agosto fechou com alta de 7% na produção física. Sobre julho o desempenho alcançou a taxa dos 6,2%. Os primeiros oito meses de 2000 também exibiram resultados substanciais: salto de 6,9% sobre o mesmo período anterior. Os últimos 12 meses encerrados em agosto apontaram taxa positiva de 6,3%.
A primeira previsão feita em meados de janeiro de que a produção teria incremento de apenas 3% no ano foi definitivamente descartada. O bom andamento dos negócios leva a Associação Brasileira das Indústrias Alimentícias (Abia) a projetar acréscimo de pelo menos 7%. A receita estimada é de US$ 80 bilhões e os investimentos do setor estão ao redor de US$ 1,6 bilhão. O Natal deverá ser um dos melhores dos últimos anos devendo atingir crescimento da ordem de 8%.
Esse incremento registrado nas indústrias está sendo absorvido pelo próprio mercado interno. Os números revelam que o volume de exportações de produtos industrializados despencou 25,3% no semestre – último dado computado – sobre idêntico período de 1999 e a receita encolheu 14,3% atingindo US$ 3,3 bilhões. ‘‘A demanda está firme e o ano fecha, no mínimo, 7% acima do resultado do ano passado. A receita cresce no mesmo ritmo’’, afirmou Dênis Ribeiro, economista da Abia.
Apesar de os resultados serem considerados ‘‘excelentes’’ pelo economista, ele se queixa da redução da margem de lucro à que a indústria vem se submetendo. Cerca de 40% dos três mil fornecedores filiados à Abia são de pequeno e médio porte e sem nenhum poder de barganha junto ao varejo. ‘‘Ou diminuem os ganhos ou saem do mercado’’, acrescenta.
Ele oberva que ‘‘o varejo está nas mãos das cinco maiores redes do País que detêm 40% das vendas’’, frisa. Segundo ele, as negociações estão cada vez mais acirradas, forçando a indústria a conceder descontos cada vez maiores.
Omar Assaf, presidente da Associação Brasileira da Supermercados (Apas), rebate a critica afirmando que o consumidor é quem decide preços. ‘‘O mercado não está comprador e o varejo não está disposto a engolir reajuste goela abaixo’’, afirma.

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