A indústria alimentícia fechou o ano de 2000 com vendas reais 2,3% superiores às alcançadas no ano anterior enquanto a produção física cresceu 2,5%. A receita líquida ultrapassou os três dígitos pela primeira vez, situando-se em R$ 100,6 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Alimentícias (Abia).
Deste total, 25% foram gerados pelo setor de ‘food service’, com incremento de 7% no período. Os outros 75% representaram as receitas do varejo e do atacado, de acordo com os dados adiantados ontem à Agência Estado. Para este ano, a expectativa da indústria é fabricar um volume 5,5% maior e comercializar pelo menos 4% a mais.
Até o mês passado, o economista da entidade, Dênis Ribeiro, apostava num incremento real de 3% nas vendas do ano passado. Os resultados verificados mês a mês e as vendas reais de novembro apontavam nesta direção. Naquele mês o faturamento do setor alimentício bateu recorde de faturamento com uma receita de R$ 10 bilhões, valor 20% acima da média mensal registrada em 2000 e 22% superior à média de 1999. As vendas reais subiram 12,62% sobre outubro e, comparadas com idêntico período de 1999, cresceram 17,41%.
Embora as previsões não tenham se confirmado, o gerente do Departamento de Economia e Estatística da Abia, Amílcar Lacerda de Almeida, considerou o resultado excelente. Em 1999, o segmento havia apresentado acréscimo real de 3,4% em termos de volume, quando comparado a 1998.
Em dezembro, porém, a situação se inverteu. A produção física encolheu 13,71% sobre o mês anterior e as vendas minguaram 9,6%. Comparativamente a dezembro de 1999 o recuo foi menor, mas ficou em 7,1% na produção e 0,9% na comercialização. A mudança de cenário decorreu do comportamento do consumidor, que preferiu os bens duráveis em lugar dos alimentos, explicou Dênis Ribeiro.
Para 2001, a Abia continua otimista. Lacerda de Almeida reviu a previsão feita no mês passado e agora prevê faturamento superior a 5%. Segundo ele, o setor será alavancado pela retomada de vendas de produtos de maior valor agregado. ‘‘O consumidor volta a concentrar compras em produtos de maior valor que já apresentaram bom desempenho em fins de 2000’’, ressaltou.

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