Se o subsídio norte-americano não atrapalhar, o ano será bom para os produtores de algodão paranaenses e brasileiros. Com a redução da colheita o quador é de equilíbrio entre oferta e demanda, sugerindo que o mercado será ‘‘comprador’’, na linguagem do ramo. O Estado do Paraná deve produzir - se o tempo correr bem - cerca de 85 mil toneladas de pluma. Mas a indústria têxtil local vai precisar de 85 mil t de matéria-prima. Este fator prenuncia preços firmes mesmo durante a colheita, que deve começar em em março, tem pico nos meses de abril e maio e termina em junho.
Em termos nacionais a situação não é diferente. A produção de pluma este ano deve ficar em 770 mil t, para uma demanda de 860 mil t. Os números estão indicando que a indústria de fiação do Paraná não terá facilidades para comprar matéria-prima em Mato Grosso ou Goiás, embora apresentem melhor qualidade. Além do inconveniente do frete, que onera muito o produto, todo algodão produzido em Mato Grosso e Goiás, tem destino certo: a indústria têxtil de São Paulo e outros centros.
Para o agricultor paranaense o cenário oferece outra vantagem: a colheita aqui (começa em março e tem seu pico em abril/maio) acontece antes que a colheita do Centro-Oeste, com chance de entrar no mercado mais cedo, quando praticamente não há oferta.
Um adversário poderia ser o produto importado, mas isso vai depender da variável cambial. Com o dólar em alta e um elevado preço de internação do produto, pode não ser econômico importar a fibra. E a Argentina, em crise, mesmo com o peso desvalorizado, não preocupa o mercado, pelo menos este ano. O prognóstico é favorável, se depender apenas da lei da oferta e procura. O preço deve ficar acima do mínimo oficial, (R$ 8,48). A Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F) trabalha com uma previsão de R$ 9,00 por arroba de algodão em caroço.
Com relação à produção nacional, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Hélio Tollini, trabalha com números ainda menores. Segundo ele, a produção da safra deste ano será de 700 mil toneladas (940 mil t no ano passado).
O engenheiro agrônomo Maurício Lunardon, do Departamento de Economia Rural, ao ser entrevistado ontem por este jornal, lembrou de uma questão importante relacionada com o algodão no Paraná: a questão social. Uma das culturas que mais empregam mão-de-obra temporária, o algodão tem sua área reduzida a cada ano. O Paraná chegou a cultivar 705 mil ha na safra 1991/92. Um projeto de estímulo à cultura poderia ser adotado pelo governo estadual não só para oferecer trabalho para milhares de trabalhadores volantes, como também oferecer mais uma opção à agricultura de economia familiar, já que o cotonicultor no Paraná - em sua maioria - é pequeno proprietário, ou meeiro ou arrendatário.

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