A produção paranaense de açúcar e etanol começou num ritmo menos acelerado em comparativo à safra 2013/14, segundo números divulgados pela Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar). O Estado, tradicionalmente o primeiro de todo o País a iniciar a colheita de cana-de-açúcar, começou os trabalhos da safra 2014/15 com atraso de 15 dias devido às geadas do ano passado e também à estiagem dos meses de janeiro e fevereiro, que atrapalharam o desenvolvimento da cultura. Até o momento, 15% da área de 664,8 mil hectares (ha) foi colhida.
Até o dia 15 de maio, foram esmagadas 6,78 milhões de toneladas de cana, contra 7,01 milhões do ano passado, uma queda de 3,3%. A produção de açúcar até o momento é de 388 mil toneladas, contra 409,3 mil da safra 2013/14 no mesmo período, uma retração significativa de 5,1%. No caso do etanol, a tendência de decréscimo é similar: redução da produção em 3,8%, de 256,5 milhões de litros para 246,7 milhões de litros. A expectativa da Alcopar é de uma produção de 1,5 bilhão de litros de etanol e três milhões de toneladas de açúcar até o final da safra, muito próximo aos números do ano passado.
A justificativa para um menor ritmo de produção, quando avaliada toda a região Centro-Sul, não envolve apenas as intempéries, mas também a delicada situação financeira de diversas usinas, principalmente no interior de São Paulo. Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), atualmente estão operando 249 usinas na região, número 7,1% abaixo da safra passada. Nesse mesmo período tinha 268 unidades trabalhando na colheita. "A redução de usinas trabalhando compromete o avanço da moagem", explica o diretor Técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.
No Paraná, há 28 usinas operando e apenas duas paradas (do total de 30), de acordo com a Alcopar. O atraso aqui, portanto, está diretamente relacionado às oscilações climáticas, principalmente no primeiro bimestre de 2014. "Tivemos um deficit de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro, principalmente nas regiões de Jacarezinho, Cornélio Procópio e Umuarama. Entretanto, mesmo com esse início mais lento, acredito que a produção de açúcar e etanol será bem similar à da safra passada", avalia o coordenador da área sucroalcooleira do Departamento de Economia Rural (Deral), Disonei Zampieri.
Ele lembra ainda que no ano passado a oferta de etanol no mercado paranaense teve incremento de 14,4%, enquanto no Brasil o número aumentou 8,5% em comparativo à safra 2012/13. "A área de moagem deve atingir a marca de 597 mil a 600 mil hectares, sem muitas alterações", complementa Zampieri.

Imagem ilustrativa da imagem Produção de açúcar e etanol desacelera no PR
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