Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A produção da indústria de transformação e extrativa mineral no Brasil aumentou 1,6% em outubro, em comparação com setembro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora tenha havido índices maiores neste ano, o fato de o aumento ser o terceiro consecutivo faz com que a marca seja a melhor desde setembro de 1998, quando a crise de pagamento da dívida russa provocou o início da recessão brasileira, informou o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales.
Setores de transformação e extrativo mineral registraram expansão de 1,6% em outubro, segundo pesquisa divulgada ontem pelo IBGE
Os números da indústria em outubro confirmam a reação do setor depois da crise, na análise do IBGE. Em comparação com outubro de 1998, a produção aumentou 2,5%. A produção acumulada no ano continua negativa, com queda de 2,2% na comparação com o mesmo período no ano passado. Mas a intensidade do recuo diminuiu, de acordo com o instituto.
Para Sales, o bom desempenho das indústrias brasileiras deve continuar até fevereiro – e essa reação pode significar uma evolução do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano melhor do que a esperada. ‘‘A dinâmica da indústria bate em outros setores da economia’’, lembrou. ‘‘A projeção do PIB pode melhorar, e a da indústria também’’. Mas o economista lembrou que também tem de ser levado em conta o desempenho da indústria de construção civil, que não é incluído nos dados divulgados ontem. De janeiro a outubro, este segmento teve queda de 4,1%.
A produção de bens duráveis, mais afetada pela crise russa, foi a que teve reação mais forte, aumentando em 4,2% sua produção. O nível foi o mais elevado desde outubro do ano passado. De acordo com o economista do IBGE, o resultado é um indício de boas expectativas do ramo quanto às vendas no fim de ano. Ainda assim, o segmento acumulou, neste ano, queda de 12,2% de sua atividade.
Outra contribuição importante para os índices do IBGE foi dada pelo crescimento de 2,1% da atividade de fabricação de bens intermediários – que são aproveitados por outras indústrias antes de chegarem ao consumidor. Na avaliação de Sales, o segmento foi beneficiado pelo bom desempenho da produção de bens duráveis. ‘‘O setor de bens duráveis tem encadeamento importante em toda a indústria, e tem tido crescimento há alguns meses’’, explicou. ‘‘Mas a manutenção deste desempenho das vendas no varejo’’, ressalvou o economista. A elevação da produção de petróleo e a maior quantidade de produtos do setor que foram exportados, como material siderúrgico, também beneficiaram o resultado dos produtos intermediários.
A atividade industrial cresceu 2,2% de julho a outubro. Este número não leva em conta o aumento da produção do setor que já é tradicional no segundo semestre, explicou Sales. O chefe do Departamento de Indústria do IBGE calcula que, se o desempenho de novembro e dezembro ficar nos mesmos níveis de outubro, a produção industrial deverá cair 1,1% neste ano.

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