Produção da Cacique cai para 50% da média
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sexta-feira, 13 de junho de 1997
Cláudia Lopes 
Arquivo FolhaEstoque baixoSérgio Sardenberg diz que a indústria está trabalhando com a sua reserva técnica de matéria-primaApesar da fábrica da Companhia Cacique de Café Solúvel ter voltado a funcionar nesta semana, a produção diária tem variado entre 15 e 30 toneladas por dia - bem abaixo de sua média, que é de 70 toneladas por dia. O diretor Sérgio Sardenberg explica que a indústria, que desde segunda-feira tem produzido apenas para exportar para a Rússia, já está tendo que utilizar seu estoque de café. Estamos trabalhando com nossa reserva técnica, diz. Sem querer revelar a quantidade disponível, o diretor se limita a dizer que a reserva da matéria-prima é pequena.
No mês passado, a Cacique concedeu férias coletivas de 20 dias para 580 funcionários, enquanto aguardava uma decisão do governo sobre o preço do café. A empresa alega que, com os preços atuais do café, não estaria conseguindo ser competitiva no mercado externo.
A saca do café conilon, o tipo usado na produção de café solúvel, custa US$ 111 em Vitória, no Espírito Santo. No mercado internacional, os concorrentes pagam mais barato pelo produto. Na índia, por exemplo, o café torrado custa US$ 67 a saca. Até o final do ano passado, o preço da saca do conilon nacional variava de US$ 75 a US$ 80.
Com a paralisação das atividades durante 20 dias, a Cacique perdeu US$ 15 milhões em sua receita de exportação, deixando de recolher R$ 1,3 milhão entre impostos estaduais e federais. Segundo Sardenberg, a empresa irá esperar a solução do governo até o final deste mês. Depois deste prazo, teremos que recorrer às operações de draw-back, diz. Por esse sistema, a empresa importa matéria-prima com vantagens se a produção se destinar à exportação.
Durante as férias coletivas, a empresa aproveitou para fazer a manutenção do maquinário do setor operacional. Sardenberg explica que, depois de reiniciada a produção, as máquinas demoram cerca de dez dias para estarem bem ajustadas, voltando a produzir normalmente. Mas até o final deste mês, por causa da reserva técnica, a Cacique deve continuar produzindo abaixo de sua média.
Em abril, a indústria obteve liberação para importar 20 mil sacas de café torrado da Índia, a US$ 67 a saca, pelo sistema de draw-back. A operação foi suspensa a pedido de cafeicultores brasileiros. Segundo Sardenberg, o governo também pode perder US$ 200 milhões de divisas com o draw-back. Para tentar solucionar o problema do preço do café, o governo deve aprovar em breve o empréstimo de 770 mil sacas de café dos estoques oficiais para as indústriais brasileiras de café solúvel.


