Arquivo FolhaEm marcha lentaIndústria automobilística teve retração em dezembro. A produção caiu 16% sobre a do mesmo período de 96A produção industrial brasileira em dezembro teve uma queda de 5%, a maior registrada desde maio de 95. Com isso, o crescimento acumulado até novembro, de 4,5%, recuou e fechou 97 em 3,9%. Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O fraco desempenho da indústria no último bimestre do ano (-8,4% em relação ao mesmo período de 96) deixou o saldo de 97 um pouco abaixo da estimativa traçada pelo próprio IBGE - entre 4% e 4,5%.
O resultado de 97, no entanto, supera o acumulado do biênio 95/96 (3,6%). A indústria alcançou, nos últimos cinco anos, uma expansão de 24,5% e se recuperou da recessão do governo Collor (90 a 92), quando caiu 14,6%. O ramo mais atingido em dezembro foi, justamente, o que liderava o desempenho da indústria desde a implantação do Plano Real (94): o de bens duráveis.
Esse ramo teve uma queda de 21,4%, a maior entre todas as categorias da indústria. Se comparada a dezembro de 96, a redução é ainda maior (-24%), puxada pela performance de fabricação de automóveis (-16,6%) e de eletrodomésticos (-35,8%). ‘‘O declínio de novembro e dezembro deve se manter, no primeiro trimestre deste ano, em torno de 1%’’, disse Sales.
Será um início de ano bem diferente daquele do ano passado, quando a indústria havia crescido 5% em relação ao primeiro trimestre de 96, de acordo com o IBGE.
Pela primeira vez no período pós-Real, o ramo de bens de capital (máquinas e equipamentos) se destacou dos demais, com um crescimento de 4,7%. Outra área que superou a média da indústria foi a de bens intermediários (extração mineral, siderurgia e química): 4,6%. Bens duráveis encerrou 97 em 2,9%, bens de consumo, 1,2%, e semiduráveis e não-duráveis (calçados, roupas), 0,7%. Dos 20 setores pesquisados, o IBGE verificou que 14 tiveram queda de produção no último mês do ano.
Construção civil, não incluída nas estatísticas divulgadas ontem, cresceu 8,5% em 97, contra 5,6% de 96. Essa área deverá puxar o crescimento da indústria este ano, disse Sales. Esse resultado, somado ao desempenho da indústria e ao de serviços públicos, totaliza o PIB (Produto Interno Bruto) industrial. Segundo Sales, o total de riquezas produzidas pela indústria nacional vai superar os 3,9% da produção.

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