Produção cresceu 1,6% em janeiro
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terça-feira, 17 de março de 1998
Agência Estado 
A produção industrial brasileira cresceu 1,6% em janeiro deste ano comparada a dezembro de 1997, já descontadas as influências sazonais, conforme pesquisa divulgada ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do primeiro resultado positivo depois de dois meses seguidos de quedas acentuadas (-3,8% em novembro e -4,6% em dezembro).
O responsável pela pesquisa industrial do IBGE, Sílvio Salles, creditou esse crescimento da produção em janeiro (mês em que o desemprego atingiu taxas históricas de 7,25%) à reposição de estoques no início do ano. As indústrias venderam muito no fim do ano, o que provocou um pequeno aumento da produção em relação a dezembro, mês que foi influenciado negativamente pela alta das taxas de juros, disse Salles.
Por conta disso, a comparação com dezembro de 1997 favoreceu o resultado de janeiro, uma vez que os resultados do último mês do ano foram muito ruins, o mais baixo patamar de produção dos últimos 17 meses. No confronto com janeiro de 1997, no entanto, a atividade industrial caiu 3,5% e na comparação com outubro do ano passado - antes da crise asiática que afetou a economia brasileira - a queda foi ainda maior, 6,7%. Segundo Salles, a redução do ritmo de produção a partir de novembro fica também evidente na evolução do indicador acumulado nos últimos 12 meses, que passa de 4,5% em outubro, para 3,1% em janeiro deste ano.
O comportamento da indústria no primeiro trimestre do ano deverá se manter estável, segundo estimativas do IBGE, apresentando queda na comparação com os mesmos meses do ano anterior. Salles prevê que a retomada do crescimento da produção só ocorrerá a partir do segundo semestre do ano, quando as taxas de juros baixarem.
Agroindústria O IBGE também divulgou ontem os dados relativos à produção agroindustrial, que cresceu 4,7% em 1997, superando os 3,9% obtidos para a produção industrial no mesmo período. O melhor resultado foi o do grupo dos produtos industriais vinculados à agricultura, com 5,4%. Dentro deste grupo, o destaque coube ao desempenho de máquinas e equipamentos (26,1%) e adubos e fertilizantes (9%). Já os produtos derivados da agricultura cresceram 3,5% em 1997, enquanto a produção de carnes e outros derivados da pecuária praticamente não variou em relação ao ano anterior (-0,2%).


