Rio de Janeiro - O aumento de 6,4% registrado na produção industrial no terceiro trimestre de 2007 ante igual período do ano passado é a maior expansão trimestral apurada pelo IBGE, na comparação com igual trimestre de ano anterior, desde o terceiro trimestre de 2004, segundo a economista Isabella Nunes, da coordenação de indústria do instituto. Segundo ela, esse foi o 16º aumento consecutivo nesse indicador, impulsionado pelo aquecimento do mercado interno.
Os maiores crescimentos no terceiro trimestre, ante igual período de 2006 foram apurados em bens de capital (20,4%) e bens de consumo duráveis (13,8%). Segundo Isabella, os bens de capital estão sendo puxados pela ampliação dos investimentos, enquanto o incremento em duráveis reflete a ''ampliação do mercado de trabalho'' e a manutenção das condições favoráveis de crédito.
Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o crescimento de 1,5% - o oitavo aumento consecutivo nessa base de comparação - também foi considerado ''forte'' por Isabella, já que ocorreu em cima de um segundo trimestre muito bom, quando houve expansão de 2,5% em relação ao primeiro trimestre. Também nesse indicador, os destaques de crescimento no terceiro tri foram bens de capital (26,6%) e bens de consumo duráveis (18,5%).
A queda de 0,5% na produção industrial em setembro ante agosto representa uma ''acomodação'' em patamar de produção elevado e após um período contínuo de crescimento, segundo Isabella Nunes. ''A acomodação vem após um crescimento contínuo de seis meses, então é natural que chegue a uma acomodação'', disse. Ela afirmou que é preciso esperar novos resultados para avaliar a tendência da indústria, mas não há nada que revele, em setembro, uma inversão na trajetória de crescimento.
Isabella sublinhou a influência do menor número de dias úteis de setembro no resultado. Segundo ela, o mês de agosto deste ano teve 23 dias úteis, enquanto setembro teve apenas 19. O coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, disse que embora o ajuste sazonal exista para neutralizar essas diferenças, como essa questão dos dias úteis veio ''fora do padrão'', é possível que o ajuste não tenha eliminado essa influência. ''Os resultados sugerem que tenha ocorrido um efeito calendário importante'', disse Sales.
Segundo ele, o menor número de dias úteis também influenciou o resultado de setembro ante igual mês do ano passado (5,6%), inferior ao resultado de agosto (6,6% ante agosto de 2006) já que setembro de 2007 teve um dia útil a menos que igual mês de 2006.

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