Para cumprir as metas de economia para o racionamento de energia, 76% das empresas terão de reduzir sua produção, segundo pesquisa divulgada ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Um terço das 918 empresas consultadas estima uma queda de 15% nas suas atividades. Na média, o impacto será de 9,5% da sua capacidade de produção.
A região Sudeste é a que concentra o maior percentual de empresas que terá uma redução superior a 15% na produção. Entre as medidas que serão adotadas para enfrentar a crise, está a busca de uma maior eficiência energética, apontada por 60,4% das empresas ouvidas.
A pesquisa aponta que 42,7% das empresas considera cedo para reavaliar os seus planos de investimentos para os próximos dois anos. Para 39,2% das indústrias, os investimentos serão menores, enquanto que para 15% eles serão ‘‘substancialmente menores’’.
Segundo a pesquisa da CNI, o racionamento de energia terá impacto sobre grande parte das indústrias no que diz respeito ao emprego. Para 63,4% das 918 empresas ouvidas, será preciso realizar demissões para enfrentar a crise energética.
As empresas que devem ter um número maior de demissões são as de pequeno porte (70,3%). Os setores que devem ser mais afetados são os de artigos têxteis, vestuário e máquinas e equipamentos. Os menos afetados seriam os fabricantes de alimentos e bebidas.
Segundo o presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, o racionamento terá um grande impacto sobre a produção e o nível de emprego na indústria, devido à capacidade reduzida de geração própria e de adoção de medidas para reduzir o consumo.
Segundo a CNI, 49% das indústrias esperam que a crise de energia continue após 2002. Para 40%, ela durará até 2002.
Entre as medidas para enfrentar a crise, a maioria das empresas aponta a alteração no seu ‘‘mix’’ de produtos e a subcontratação ou terceirização da produção.
A pesquisa foi feita com 918 empresas de todo o País, entre os dias 11 e 20 de junho, para aferir os primeiros impactos do racionamento de energia elétrica sobre a produção, investimentos, exportações e importações do setor industrial.
Moreira Ferreira disse ontem que a adoção de feriados – proposta em estudo pelo ‘‘Ministério do Apagão‘‘ – ara diminuir o consumo de energia tiraria a flexibilidade da indústria de administrar o seu próprio racionamento. ‘‘Somos contra o feriadão. Esse medida teria impacto sobre a produção e também sobre a arrecadação de impostos, o que prejudicaria Estados e municípios’’, disse.
Moreira Ferreira também criticou a lentidão do governo para resolver várias questões referentes à crise de energia. ‘‘Demoramos mais de um ano para resolver a questão do gás para as termelétricas. É preciso que a Volkswagem ou a AES (empresa norte-americana, controladora da Eletropaulo) digam que vão deixar de investir para que se comece a decidir as coisas. Às vezes, dizer um não é melhor do que não decidir nada’’, afirmou. Segundo Moreira Ferreira, a crise de energia não fará a indústria nacional recuar. ‘‘As empresas não vão retroceder, mas se adaptar a uma nova realidade.’’

mockup