Produção cai e indústria investe menos
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A indústria ficou ''estacionada'' em fevereiro no nível de produção de dezembro e teve forte desaceleração dos investimentos. De acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor registrou queda de 1,2% na produção ante janeiro - o pior resultado ante mês anterior desde junho de 2003 (-1,5%) - e, apesar do aumento de 4,4% ante fevereiro de 2004, confirmou a perda de ritmo que ocorre desde o final do ano passado.
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os dados divulgados pelo IBGE mostram que ''o boom industrial brasileiro do ano passado ficou para trás''. Mas o chefe da Coordenação de Indústria do IBGE, Silvio Sales, explicou que a queda de 1,2% na produção ante mês anterior pode estar relacionada ao menor número de dias úteis em fevereiro por causa do carnaval, redução não eliminada integralmente pelo ajuste sazonal (que subtrai as características de determinado período).
Sales destacou que o setor mostrou ''estabilização'' ao ficar ''estacionado'' no nível de dezembro. Ele destacou que, apesar da estagnação, os dados de fevereiro mostraram dois movimentos importantes: queda dos investimentos (espelhados na produção de bens de capital) e mudança na composição do crescimento industrial, com maior peso dos bens de consumo, impulsionados pelo crédito e pela massa salarial.
Segundo o técnico, os resultados da pesquisa mostram que ''há uma mudança na composição interna'' do crescimento da produção. ''O que está se confirmando é uma alteração no perfil (do crescimento), com bens de produção duráveis e não duráveis com taxas mais altas'', disse.
No caso dos bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos), Sales observou que a manutenção de taxas muito elevadas de crescimento ocorre porque o volume de crédito continua muito alto. ''Os setores que são sensíveis a crédito continuam se expandindo. As estatísticas de inadimplência continuam positivas, há aumento de crédito com desconto em folha e há também crescimento da massa salarial, que beneficia os não duráveis'', disse.
Os bens de consumo duráveis registraram expansão de 11,8% em fevereiro ante janeiro, após uma queda de 5,1% em janeiro ante dezembro. Na comparação com fevereiro do ano passado, o crescimento foi de 22,4%, após uma expansão bem menor, de 3,5%, em janeiro ante igual mês de 2004.
No caso dos não duráveis (vestuário, calçados, alimentos), houve queda de 4,3% na produção ante janeiro, mas, segundo Sales, esse resultado ''não reverte a trajetória de crescimento'' dessa categoria, que acumula aumento de 7,5% no primeiro bimestre ante igual período do ano passado. Na comparação com fevereiro de 2004, a produção de não duráveis cresceu 5,3%.
Para os economistas da GRC Visão, a renda real, apesar de crescente, ''ainda permanece em um nível baixo para fomentar o crescimento vigoroso'' nos setores de bens de consumo semiduráveis e não duráveis. Além disso, eles dizem que as sucessivas altas da taxa de juros ''têm afetado muito mais os investimentos no setor produtivo do que o consumo de bens duráveis'', avaliação com a qual concorda Sales.


