O último levantamento da safra 2011 de café, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra que apesar do País estar no período de baixo ciclo da produção cafeeira, por ser uma cultura bianual, os números deste ano surpreenderam as expectativas dos pesquisadores. Só no Paraná, a instituição estima uma produção de 1,8 milhões de sacas, 200 mil a mais do que a estimativa inicial realizada alguns meses atrás.
Paulo Franzini, coordenador estadual da Câmara Setorial do Café da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), informa que essa elevação causou surpresa em todo o setor produtivo. Ele explica que as chuvas regulares no período da florada, o aumento dos investimentos por parte dos produtores em tratos culturais, a ampliação da renovação e a poda das plantas contribuíram para a obtenção desse resultado.
Yassumassa Asami, cafeicultor da região de Marialva, foi um dos que se surpreendeu com os números de sua atual safra. Em 19 hectares de área plantada, o produtor colherá 570 sacas de café, uma produção maior do que esperava. Ele afirma que o motivo para tal feito foi os bons tratos culturais que realizou antes e durante todo o ciclo produtivo.
Segundo o produtor, a renovação das lavouras é uma tendência que vem se intensificando não só no Paraná, mas em todo o Brasil. Franzini completa que o sistema de safra 100 e safra zero tem ganhado destaque entre as tecnologias e inovações aplicadas na produção do grão. Este avanço, segundo informações da Conab, justifica o crescimento das áreas de formação de café, que é de 18,2%. Além disso, ainda segundo a Conab, o sistema de plantio adensado, que responde por 61,8% da área e 59,7% do total colhido em 2011, também ajudou a elevar a safra de café.
Entretanto, avalia Franzini, nem tudo é positivo. A elevação da produção de café nesse período de safra baixa poderá prejudicar o bom desempenho da próxima safra cheia. Isso porque o crescimento da produção deste ciclo provocou estresse nas plantas. Além disso, ele ressalta que as geadas de junho e as chuvas irregulares que ocorreram a partir do mês de maio, devem contribuir para o declínio da próxima safra. Franzini completa que as altas oscilações de temperatura entre o dia e a noite que ocorreram entre os meses de setembro e novembro, foi outro quesito que pode causar quebra da safra no próximo ano.
Mercado nacional
A produção nacional, de acordo com dados da Conab foi estimada no quarto e último levantamento do ano em 43,48 milhões de sacas beneficiadas. Ao todo, o Brasil possui 2.066.422 hectares de área plantada de café em um total de 43.484,2 mil sacas beneficiadas das variedades arábica e conilon. A produção de café arábica representou, só neste ano, 74% ou 32,19 milhões de sacas. Com relação aos preços, segundo avaliação da Conab, os valores pagos aos produtores seguem positivos, especialmente se comparados aos praticados durante a safra anterior. O valor recebido por saca de 60 quilos no final da atual colheita foi de R$ 434,03 (dados de novembro).

Imagem ilustrativa da imagem Produção cafeeira cresce no Paraná
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