Produção brasileira cresceu 0,7%
A indústria brasileira está se recuperando, conforme os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua Pesquisa Industrial Mensal referente a março: a atividade do setor aumentou 0,7% em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal - descontados os fatores que influenciam tradicionalmente a produção em cada época do ano. O mais importante é que esta taxa positiva em relação ao mês precedente ocorreu pela terceira vez consecutiva, o que dá sinais de que a recuperação industrial é uma tendência que está mesmo se consolidando.
Tanto que, em relação a dezembro, a indústria cresceu 3,6%. Tudo dependerá, porém, do comportamento das taxas de juros - se elas baixarem mais rapidamente, o consumo poderá ser ampliado, elevando a produção fabril.
Na expectativa do chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales, há possibilidade de a produção crescer de 2% a 3% no segundo trimestre em relação ao primeiro, embora em confronto com o segundo trimestre do ano passado não vá conseguir muita coisa: crescimento zero, até porque de abril a junho de 97 a atividade estava em ritmo bastante acentuado, formando uma base de comparação muito elevada.
A produção do parque fabril brasileiro também se expandiu em 2,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, interrompendo uma série de quatro resultados negativos - em outras palavras, desde novembro, a cada mês a indústria tem produzido mais do que em igual período do ano anterior.
Este bom desempenho, entretanto, ainda não serviu para melhorar os resultados trimestrais da indústria. Conforme a pesquisa do IBGE, a produção de janeiro a março foi 1,7% inferior à verificada no último trimestre de 97 e 0,6% menor do que a do primeiro trimestre do ano passado.
De qualquer forma, segundo Sales, o quadro negativo que vinha se desenhando parace estar sendo superado, mesmo levando-se em conta a perda de dinamismo no segmento de bens de consumo durável - no primeiro trimestre, em relação a igual período de 97, a produção de aparelhos de TV, rádio e som chegou a cair 48%. Salles destacou que a melhora foi puxada por setores que não dependem do varejo, ainda influenciadas pelas altas taxas de juros. (Agência Estado)

mockup