Produção alta não recupera as perdas
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quarta-feira, 01 de abril de 2009
Agência Estado 
Rio de Janeiro e São Paulo - A produção da indústria em fevereiro cresceu 1,8% em relação a janeiro, representando um ''sinal positivo'' para o setor, ''mas insuficiente para anular as quedas anteriores'', disse o coordenador de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, que comentou os dados divulgados ontem. O nível da produção industrial em fevereiro retrocedeu no tempo quatro anos e oito meses a pesar da alta em relação a janeiro. As comparações com mesmo mês do ano passado (-17%), com o bimestre (-17,2%)e com os dados dos últimos 12 meses (-1%) mostram ainda o tamanho do estrago provocado pela explosão da crise financeira internacional.
''Psicologicamente, foi um resultado muito ruim, pois mostra que ainda há um enorme caminho a percorrer para voltarmos aos níveis do primeiro bimestre do ano passado'', disse o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. Para o economista-chefe da BRZ Investimentos, Alexandre de Azára, os dados reforçam a tendência de o Comitê de Política Monetária (Copom) voltar a promover mais um corte de 1,50 ponto porcentual dos juros básicos na sua reunião de abril, marcada para os dias 18 e 29.
De todos os dados, o mais preocupante é a queda expressiva da produção de bens de capital, a única categoria que reduziu o ritmo de produção entre fevereiro e janeiro deste ano: -6,30%. No primeiro bimestre de 2009, houve queda de 12,3%. A produção de bens de capital caiu 24,4% em fevereiro em relação a igual mês do ano passado, o maior recuo para essa categoria, ante igual mês de ano anterior, apurado pelo IBGE desde março de 1996. ''Isso é ruim, pois indica perda no produto potencial do País'', disse Souza Leal, do ABC Brasil.
Segundo Sales, do IBGE, o recuo na produção de bens de capital reflete ''a confiança de empresas e consumidores, que está em compasso de espera e tem efeitos nas decisões de investimentos''. Ele acrescentou que ''as perspectivas de demanda são conservadoras e há adiamento dos investimentos''.
De acordo com Sales, além dos efeitos da crise, os resultados da indústria ante igual mês do ano passado refletiram também uma base de comparação elevada, e o fato de que fevereiro de 2009 teve um dia útil a menos do que igual mês de 2008.
Já a produção de bens intermediários (1,5%), bens de consumo duráveis (10,5%) e semi e não duráveis (1,7%) cresceu em relação a janeiro. A produção de veículos automotores registrou alta de 8,7% nessa comparação. Por outro lado, registraram queda em relação a fevereiro de 2008: bens intermediários (-21,0%); bens de consumo duráveis (-24,3%) e bens de consumo semi e não duráveis (-3,3%). Nesse comparativo, a produção de veículos automotores caiu 29,8%.
Para Sales, os dados mostram uma perspectiva negativa para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no PIB. A FBCF, que sinaliza os investimentos, é composta por dados de máquinas e equipamentos (bens de capital) e construção civil. Em fevereiro, ante igual mês do ano passado, a produção de insumos para construção civil caiu 13,5%, o maior recuo apurado pelo IBGE desde dezembro de 1995.


