Brasília - A produção brasileira de grãos na safra 2002/2003 chegará a 120,2 milhões de toneladas, com crescimento de 24,2% em relação aos 96,73 milhões de toneladas colhidas na safra anterior. Até há pouco tempo, o governo acreditava que esse nível de produção só seria alcançado em 2004. Os números fazem parte da nova estimativa oficial apresentada ontem pelo ministro Roberto Rodrigues durante solenidade, no Palácio do Planalto.
''É uma coisa espetacular'', afirmou Rodrigues. ''Qual é o país que consegue aumentar sua safra em 23 milhões de toneladas de um ano para o outro?'', perguntou, na cerimônia, da qual participaram também o vice-presidente, José Alencar, e os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Fazenda, Antônio Palocci.
Segundo Rodrigues, dois fatores principais explicam o crescimento da produção agrícola deste ano: clima favorável e forte investimento em tecnologia, principalmente na safrinha de milho no Centro-Oeste e na safra de inverno, sobretudo de trigo. A produção de trigo crescerá 56,1%, atingindo 4,548 milhões de toneladas. Já a produção de milho subirá 79,1% na segunda safra deste ano, batendo em 11,068 milhões de toneladas. O Centro-Oeste foi o destaque no crescimento da produção agrícola.
Os números divulgados pelo governo foram obtidos no quinto levantamento de safra feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entre 22 e 28 de junho em 495 municípios. A pesquisa revela que também cresceu a área plantada. Nesta safra, foram cultivados 43,43 milhões de hectares, 8% a mais do que os 40,22 milhões de hectares da safra passada.
Mas o crescimento da produção agrícola se deve muito mais ao aumento da eficiência dos produtores. Segundo Rodrigues, em 13 anos a área plantada no Brasil cresceu 14,8%, ou 1,2% por ano. Mas a produção física cresceu 107,6% no período, ou 6,3% por ano, em média.
''Nesse período, os agricultores brasileiros sofreram descasamento de renda com os planos Collor e Cruzado e enfrentaram esse problema incorporando tecnologia e aumentando produtividade'', afirmou.
Apesar da colheita recorde, o País enfrentará problemas localizados com alguns produtos. É o caso do arroz. O clima inadequado no Rio Grande do Sul reduziu a produção deste ano, que não vai passar de 10,441 milhões de toneladas, segundo a Conab, ante 10,626 milhões de toneladas no ano anterior. ''A queda na produção vai exigir que importemos, pelo menos, 1,5 milhão de toneladas para completar o abastecimento interno'', afirmou Rodrigues.

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