Procuradoria apura 'maquiagem' de CATs na Audi/Volkswagen
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Procuradoria Geral do Trabalho já está investigando possíveis casos de negligência da Audi/Volkswagen com os funcionários da fábrica, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com a procuradora-chefe, Marisa Tiemann, estão em andamento dois procedimentos de investigação na montadora. Um deles se refere à investigação de doenças ocupacionais causadas a funcionários. O outro corresponde a investigação sobre o meio-ambiente do trabalho, que não estaria adequado ao bem estar dos trabalhadores.
A procuradora disse que o relatório apresentado por fiscais da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que constatou elevada incidência de trabalhadores com doenças provocadas por esforços repetitivos sem notificação correta ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), também deverá ser analisado pela Procuradoria Geral do Trabalho. Segundo Marisa Tiemann, o relatório da DRT deverá ser enviado à Coordenadoria de Defesa dos Direitos Difusos e Coletivos (Codin), cujo procurador tem autonomia para adotar providências contra a montadora, ou não.
A procuradora acredita que após as denúncias feitas pelo sindicato e a fiscalização da DRT, o dirigente do Codin deverá aprofundar a investigação para saber qual o motivo para um número elevado de trabalhadores estar adoecendo na fábrica e também averiguar se as Comunicações de Acidente do Trabalho (CATs) estão sendo feitas corretamente.
Conforme matéria feita pela Folha na última terça-feira, auditores de fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho estiveram na fábrica da Audi/Volskswagen e constataram que 159 trabalhadores afastados por doenças ocupacionais apresentavam problemas de Lesão por Esforços Repetitivos (LER), enquanto a empresa comunicou ao INSS, através de CATs, somente 12 casos.
A Audi/Volkswagen se defende e afirma, por meio de sua assessoria de imprensa, que não foi omissa em relação ao atendimento à saúde de seus trabalhadores, porque todos os casos de doença do trabalho foram encaminhados para atendimento médico. No entendimento da empresa, todas as comunicações sobre os afastamentos dos trabalhadores foram feitos da forma correta e não houve contestação por parte dos peritos do INSS.


