A Prefeitura de Londrina já pagou o valor relativo à desapropriação do terreno onde está instalada a empresa Dixie Toga S.A., segundo o procurador-geral do município, Mauro Yamamoto. Anteontem, em entrevista à Folha, o empresário Alcides Vezozzo, afirmou que, desde 1996, quando ocorreu a desapropriação, a prefeitura não teria pago o valor relativo ao terreno e que por causa disso deve entrar com uma ação na Justiça Federal para suspender a venda da Dixie Toga na cidade. A Dixie foi comprada pela empresa norte-americana Bemis Corporation Inc., uma das maiores fabricantes de embalagens do mundo. A negociação foi finalizada na semana passada.
Segundo o procurador-geral, na época da desapropriação foi pago cerca de R$ 203 mil ao dono do terreno, ''valor que se entendia ser adequado na época''. ''Mas a parte não concordou com o valor, um direito seu, e questionou na Justiça''. Um novo perito foi nomeado pela Justiça, segundo Yamamoto, e uma nova avaliação do terreno foi feita, um valor em torno de R$ 500 mil.
''O juiz proferiu a sentença nesse valor e o município recorreu. O processo não terminou, mas acredito que o que será determinado pela Justiça não chegue a esse montante'', disse Yamamoto, se referindo ao preço de R$ 7 milhões, que Vezozzo afirmou ser o ''valor justo'' hoje pelo terreno.
Vezozzo deve entrar com uma ação questionando a venda da Dixie, já que alega não ter recebido da prefeitura pela desapropriação do terreno. ''Como é que eles podem vender um terreno que não têm nem escritura'', disse.
Segundo o empresário, três ações correm na Justiça, em instâncias diferentes, cobrando da prefeitura os valores pendentes.
A empresa brasileira, com unidades distribuídas pelo Brasil e Argentina, foi comprada por US$ 250 milhões. A Bemis adquiriu 64,44% das ações da Dixie. Em Londrina, a unidade, que emprega 1.150 funcionários, produz embalagens flexíveis e descartáveis.

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