Procura-se (qualquer) emprego

Curitiba Basta circular pelas ruas ou pontos de ônibus de qualquer cidade para encontrar pessoas que integram a legião de desempregados no País. Um dos indicadores mais contundentes do quão prolongado está o período recessivo é que boa parte de quem se encontra na situação, com ou sem formação, admite estar aceitando remuneração menor ou ocupação diferente daquela desejada tamanha a dificuldade de se recolocar no mercado.
É o caso do pizzaiolo Thiago dos Santos Gonçalves, 27 anos, que há dois meses procura emprego em Curitiba. "Diariamente envio currículos e não tive qualquer retorno até agora. No emprego anterior, fiquei apenas um ano, e saí por redução no quadro de funcionários, devido à queda no consumo. Por tudo isso, não estou escolhendo emprego, preciso voltar a ter uma renda", explica.
A auxiliar de serviços gerais Rosa Rodrigues Viana, 54 anos, amarga mais de um ano de desocupação, sendo que nos últimos meses ela conta que tem feito uma verdadeira peregrinação por estabelecimentos comerciais do centro de Curitiba. "Antes, bastava preencher uma ficha na agência do Sine (Serviço Nacional de Emprego), que saía de lá com emprego. Mas agora, até mesmo serviço de diarista está escasso. Toda segunda, quarta e sexta venho para o centro perguntar em bares, lojas e hospitais se tem vaga, mas até agora nada", relata. Rosa afirma que escolheu alternar os dias de busca por uma recolocação por conta do custo da passagem de ônibus da capital, que está em R$ 4,25. "Se já pesa no bolso quando estamos trabalhando, imagine agora. Graças à minha ex-sogra que estou sobrevivendo", comenta.
Bênção
Conhecidos por realizarem a bênção dos carros, os freis da Paróquia Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, percebem reflexos do desemprego nos atendimentos aos fiéis. "Aumentou muito a frequência de pessoas que nos procuram para pedir comida e leite por estarem desempregadas. Todo dia surge pelo menos um com esse tipo de pedido e isso não acontecia antes", atesta o frei Mauro César Nogueira. Segundo ele, é bastante diverso o perfil de desempregadas que vão rezar ou benzer as carteiras de trabalho na Paróquia. "Há muitos jovens, mas também pessoas mais velhas. Com e sem formação, e o tempo que estão desocupadas vai de quatro meses a dois anos. Muitos estão desesperados", descreve. Ciente da conjuntura do País, o frei recomenda a todos os desempregados redobrarem a fé. "Nunca percam a esperança e acreditem que do mesmo jeito que vocês estão procurando, alguém está procurando para contratá-los", assegura. (Magaléa Mazziotti/Reportagem Local)





