Procura por viagem aos EUA já caiu 70% nas agências
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quinta-feira, 20 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A procura por viagens de turismo aos Estados Unidos e à Europa despencou nas agências. Nos últimos dias, a compra de passagens está restrita para quem necessita viajar a trabalho ou ir para casa de parentes, disse o vice-presidente da Associação Brasileira de Viagens (ABAV) e proprietário da GR Turismo, Geraldo José Zaidan Rocha. Para ele, desde que intensificou o clima de guerra, os turistas pararam de procurar os pacotes turísticos internacionais.
Nos últimos dez dias a redução da procura por esses pacotes foi de 70%, disse o diretor da agência de turismo Canadian, José Roberto Ghisi. Segundo ele, já estava difícil de vender pacotes internacionais de turismo por causa da valorização do câmbio. Quando começou a agravar o clima de guerra, a situação piorou.
Segundo Rocha, as viagens de entretenimento à Disneylândia e de compras em Nova York estão sendo substituídas pelas viagens para a Argentina, Chile e Caribe. Segundo o empresário, os turistas estão evitando ir para locais que eles consideram inseguros, por temerem atentados terroristas.
Rocha não acredita que essa situação vai durar muito tempo. ''Se a guerra for curta, a situação volta ao normal lentamente.'' Ele disse que já foi assim após o atentado terrorista em 11 de setembro de 2001, em Nova York. ''A segurança nos aeroportos americanos triplicou após o atentado terrorista e os turistas sentem-se mais seguros'', destacou.
Com a queda no turismo, o impacto no setor hoteleiro e de companhias aéreas norte-americanas está ''sendo brutal''. Ele tem informações que desde ontem, essas empresas iriam deflagrar uma demissão em massa.
Para Ghisi, além da queda acentuada das viagens, os poucos usuários brasileiros que restaram estão rejeitando viajar por companhias norte-americanas: ''Mesmo o executivo que precisa viajar não quer companhia dos EUA.'' Ele acredita que daqui para frente haverá uma forte onda de promoções e redução de tarifas para viagens internacionais.
Segundo Ghisi, a retomada da procura por passagens para a Europa será mais rápida se a guerra não se prolongar muito. Segundo ele, o período de guerra está coincidindo com a baixa temporada e a procura começa a aumentar a partir de abril. As companhias aéreas que partem do Brasil ainda não cancelaram vôos, ''mas sabemos que os aviões estão batendo lata''.


