Procura por poupança subiu 15,7%
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domingo, 20 de outubro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - Os investidores que fugiram para a poupança desde maio, quando começou a crise dos fundos de investimento, devem analisar se essa é a melhor aplicação para seu dinheiro em um cenário de inflação alta, como o projetado.
O saldo dos recursos aplicados em cadernetas aumentou 15,75% neste ano, até setembro, totalizando um patrimônio de R$ 137,3 bilhões. A poupança é remunerada pela Taxa Referencial (TR), que é a média das taxas dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) prefixados, mais 6% de juros ao ano.
Em um cenário de inflação mais alta, os juros tendem a subir como ocorreu na semana passada. ''O problema da poupança é que quando aumenta a Selic, essa alta dos juros demora 15 dias para ser transferida para a TR'', diz Décio Tenerello, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança. Ou seja, o rendimento fica defasado nesse período. ''Pode até ocorrer de a inflação, em um dado momento, ser maior que o rendimento da poupança''.
Tenerello admite que a tradicional caderneta não é um produto financeiro competitivo. ''Hoje, fica distante de outros produtos cujos rendimentos são prefixados.''
Para Marcello Paixão, diretor de produtos da Max Blue, ainda não dá para prever qual será a inflação em 2003, mas ''seis meses após a eleição, a tendência será de queda dos juros''. Se isso ocorrer, a perda que a poupança teve agora, com a defasagem em relação à TR, será compensada, pois ela ficará 15 dias com uma taxa maior do que as que passarem a vigorar no mercado de CDBs prefixados.


