Procura por mudas de café explode
Guto Rocha
Arquivo FolhaMercado aquecidoViveiros particulares já esgotaram seus estoques e agora trabalham só sob encomendaA saca do café fino está há mais de oito meses com suas cotações acima dos R$ 200,00. Não me recordo de situação parecida, afirma o corretor de café do Escritório Marrequinho, em Londrina, Márcio Tavares de Menezes, há 52 anos no mercado. Preços sustentados no mercado aliados à necessidade de diversificação das propriedades, tem provocado uma corrida dos produtores aos viveiros de mudas no Paraná. O interesse é tão grande que já há falta de mudas para as novas lavouras adensadas.
Segundo o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) do escritório regional da Secretaria de Agricultura (Seab-PR) em Apucarana, Paulo Sérgio Franzini, um convênio entre a Seab e mais de 200 prefeituras do Paraná e associações de produtores prevê o fornecimento de aproximadamente 60 milhões de mudas a preço de custo (cerca de R$ 80,00/milheiro) para pequenos produtores.
Em Londrina, a procura por mudas produzidas dentro do programa do governo superou as expectativas da Secretaria Municipal de Agricultura. Segundo o engenheiro agrônomo, Jefferson Costa Hernandez, no ano passado foram cadastrados 268 produtores que apontaram para uma demanda por 3,38 milhões de mudas. Mas a produção do viveiro da prefeitura para este ano deve atingir um milhão de mudas. Já iniciamos a distribuição do primeiro lote de 200 mil mudas, afirmou.
Hernandez explicou que devido a grande procura, a Secretaria Municipal de Agricultura limitou a distribuição das mudas subsidiadas em 5 mil unidades por produtor. O agrônomo observou que mesmo que os preços do café caiam, o sistema adensado garante ao produtor um bom rendimento. Enquanto no sistema tradicional o custo de produção de uma saca de café beneficiado fica em torno de R$ 70,00, no sistema adensado o custo fica em R$ 37,00/saca, afirmou.
Segundo o proprietário do Viveiro Mundo Novo, Oswaldo Jacinto de Souza, a procura é tanta que já está faltando mudas de café. No ano passado, ele vendeu todas as 500 mil mudas produzidas e resolveu dobrar a produção para este ano. Produzimos um milhão de mudas e todas já foram comercializadas, afirmou. Souza disse que agora está produzindo mudas sob encomenda. Ele explica que as mudas que não são plantadas dentro do prazo perde o padrão e têm de ser descartadas.
Nos cerca de 140 viveiros particulares vistoriados pela Seab no Paraná a situação é a mesma: demanda por mudas maior que a oferta. Com isso, o milheiro de mudas que até 1994 era comercializado por no máximo R$ 80,00, hoje chega a R$ 140,00/milheiro. Mas temos informações que produtores chegaram a pagar R$ 200,00/milheiro, diz Franzini.
O proprietário do Viveiro Agrocem, de Sertanópolis, João Fernando Garcia, afirma que a procura por mudas deve continuar aquecida. Tem muito produtor que já plantou, mas tem programação para novos plantios, comentou. Garcia afirmou que com a volta das chuvas a procura deve se intensificar.
Segundo Garcia, toda a produção de 1 milhão de mudas também já foi vendida. A produção estava contratada há 90 dias. Se tivéssemos produzido 500 mil mudas a mais, teríamos vendido todas com tranquilidade, disse. Garcia afirmou que o viveiro vai passar a trabalhas com um excedente de 30% da quantidade contratada para poder atender os pedidos eventuais.





