Procura por crédito cresce 17% em outubro
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
A procura por crédito no mês passado cresceu 17,2% na comparação com setembro, quando houve uma queda de 16,5% perante agosto. Apesar do aumento significativo em outubro, no acumulado do ano o número de pessoas que buscaram crédito ainda é 4,3% menor que no mesmo período de 2011. O levantamento foi divulgado ontem pela Serasa Experian.
Quanto maior a renda per capita da população, menor é a procura por crédito. Nos estados do Sul, há um recuo de 6,7% no acumulado do ano. Sudeste e Centro-Oeste têm índices de -4,8% e -5%, respectivamente. No Nordeste, o recuo é pequeno, de 1,2%. E o Norte foi a única região em que o número de pessoas que buscaram crédito de janeiro a outubro deste ano foi maior que no mesmo período de 2011. O crescimento foi de 2,1%.
Na segmentação por renda, os mais pobres (até R$ 500 mensais) compõem a única faixa na qual a procura por crédito aumentou no acumulado do ano (3,9%). A faixa que apresentou o maior recuo (6,2%) foi a de R$ 5 mil a R$ 10 mil.
O economista da Serasa Experian Luiz Rabi afirma que, aos poucos, o consumidor brasileiro está voltando ao mercado de crédito. Mas ele considera improvável que, ao fechar o ano, o número de pessoas que buscam crédito seja maior que o de 2011. Neste ano, somente nos meses de julho (2,03%) e outubro (11,9%) foi registrado crescimento na comparação com os mesmos meses do ano passado.
''Dificilmente fecharemos no azul, mas o mercado está respondendo melhor agora'', salienta. Ele afirma que a inadimplência vem caindo e isso faz com que as solicitações por crédito aumentem. Em Londrina, segundo informou a Associação Comercial e Industrial (Acil), de janeiro a outubro a inadimplência recuou 13% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Rabi lembra que o salário mínimo teve um reajuste de 14% em 2012 o que justifica o aumento da procura por crédito na população de menor renda. ''Isso explica as diferenças também nas regiões do País'', declara.
Para o economista e assessor da Acil, Renato Pianowski, o crescimento da procura por crédito deve ser visto com cuidado. ''As pessoas estão indo cada vez com mais sede ao pote. O governo só faz incentivar o consumismo e a população vai se atolando em dívidas'', critica.
Segundo Pianowski, está na hora de se incentivar também a poupança. ''Não estou dizendo que é para todo mundo parar de comprar. Se isso acontecer, a economia quebra. Estou falando que é para as pessoas passarem a fazer um consumo consciente'', afirma. Isso quer dizer, segundo o economista, comprar só o que é necessário e poupar para o dia de amanhã.
''Se a geladeira velha quebrou e o conserto vai ficar caro, é melhor comprar uma nova. Se a pessoa poupou e tem o dinheiro para pagar à vista, será mais vantagem. Ela vai na loja e negocia um desconto com o vendedor'', exemplifica. Caso tiver de entrar no crediário, é preciso pesquisar as melhores condições.
Mas o que acontece, na opinião de Pianowski, é que o consumidor é incentivado a trocar uma televisão de 29 polegadas por uma de 42 polegadas, sem ter necessidade. ''Isso é consumismo e precisamos evitar'', salienta.



