Procon vistoria lojas que anunciam juro zero
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de junho de 2002
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - As lojas que vendem produtos a prazo pelo mesmo preço à vista estão dificultando a fiscalização da Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor do Paraná (Procon). Em dezembro de 2001, o órgão iniciou uma campanha para tentar baixar as taxas de juros cobradas pelos estabelecimentos. O Procon exige ainda que as condições de venda a prazo sejam totalmente esclarecidas aos clientes.
Algumas lojas oferecem produtos em até dez parcelas pelo mesmo valor cobrado na venda à vista. Segundo o coordenador do Procon, Naim Akel Filho, essa é uma estratégia para atrair clientes e fugir da fiscalização. Falando que tem taxa de juros zero, não precisam indicar o valor do juro, o preço final do produto nem a financeira que atua. É uma forma de escapar da exigência do Procon de transparência de informações, afirmou.
Segundo Akel, as empresas estão sendo obrigadas a indicar claramente qual o preço final do produto em caso de financiamento, qual a taxa de juros mensal e anual que incide no produto e qual a financeira que atua na empresa. Mas se adotam a nova estratégia, não precisam respeitar nada disso - completa.
Como as taxas de juros estão bastante altas, o consumidor fica atraído por propagandas que prometem o juro zero. Mas em muitos casos a melhor opção é comprar à vista ou até a prazo em outra loja, mesmo com a incidência da taxa de juros. Mas para saber disso, o consumidor precisa pesquisar.
O preço de um aparelho DVD Gradiente, em uma loja que vende em dez parcelas pelo mesmo preço à vista, é R$ 689,00. Na concorrência, esse mesmo produto pode ser achado em média por R$ 529,00, sendo que em algumas promoções é vendido por até R$ 499,00. Por esses valores, o cliente pode parcelar no máximo em duas vezes. Mas mesmo que escolha parcelar em dez vezes, o consumidor pode economizar nessas lojas: o produto custará entre R$ 630,00 e R$ 670,00.
Uma das empresas que pratica a venda a prazo com juro zero informou que não há nenhuma taxa embutida no preço do produto. Segundo a empresa, o cliente compra em dez vezes sem entrada pelo mesmo preço que à vista e ainda ganha alguns benefícios. Na compra de móveis, por exemplo, o consumidor ganha seguro-desemprego e uma cesta de alimentos se as parcelas do financiamento forem superiores a R$ 34,00.
O coordenador do Procon informou que o órgão vai analisar se empresas que utilizam a prática de juro zero estão lesando o consumidor. Não dá para falar que é propaganda enganosa, mas estamos fazendo um levantamento para saber se será preciso instaurar um processo administrativo pelo órgão, relatou.


