Fiscais do Núcleo de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) iniciam segunda-feira uma campanha de fiscalização para tentar combater a prática abusiva que vem sendo adotada por alguns postos de combustíveis em Londrina. O órgão tem recebido dezenas de reclamações de consumidores denunciando que estabelecimentos na cidade não estão aceitando cartão de débito para a compra de gasolina no preço à vista, disse Gerson da Silva, coordenador regional do Procon.
No começo do mês, o Procon reuniu-se com vários donos de postos na tentativa de resolver o problema. Na ocasião, de acordo com Silva, eles decidiram que os estabelecimentos deveriam aceitar o cartão ou retirar todas as propagandas relacionadas às administradoras dos mesmos. ''Se a propaganda permanecer o posto é obrigado a aceitar o cartão e não pode cobrar o preço a prazo'', afirmou.
Segundo o coordenador do Procon, os representantes dos postos alegaram que têm prejuízo para operar com cartões de crédito, mesmo os de débito automático. Afirmaram que as administradoras cobram juros de quase 3% para manter o serviço e só pagam o dinheiro 30 dias depois da compra. ''Disseram também que como o preço do combustível está mais baixo e eles quase não estão tendo lucro, se aceitarem o cartão acabam tendo prejuízo'', disse.
Silva explicou que o cartão de crédito é apenas um meio de pagamento e como qualquer outro pode ser suspenso pelos donos de postos. No entanto, se eles interromperem a venda do combustível por cartão, o sistema não poderá ser aceito para pagamento de nenhum outro produto oferecido pelo estabelecimento.
''Nós vamos fazer a fiscalização, e os postos onde as denúncias forem confirmadas serão autuados por prática abusiva'', garantiu. O dono do estabelecimento poderá recorrer da autuação. A multa nesses casos varia de R$ 212 a R$ 3 milhões, dependendo do faturamento do posto.
Na contramão da maioria dos estabelecimentos, o posto Monte Sinai continua aceitando o cartão para pagamento de todos os produtos. ''Não passamos a gasolina para o preço a prazo quando o cliente paga com cartão. Isso é contra a lei'', enfatizou o gerente Robson Pio Polli. Ele afirmou que mesmo com os juros cobrados pelas administradoras, o posto vai continuar oferecendo o serviço.

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