SÃO PAULO - O Procon (Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor) enviou ontem um ofício à Secretaria de Acompanhamento Econômico para pedir a fiscalização do abastecimento de gasolina comum. A medida foi tomada porque o Procon teme que, com o lançamento da gasolina premium, ocorra um escasseamento da gasolina comum - utilizada em larga escala por prestadores de serviços em todo o País.
Segundo Elisete Rodrigues Miyazaki, chefe de divisão do Procon, pode haver um aumento nos preços dos serviços caso a gasolina comum comece a faltar no mercado, uma vez que a gasolina premium é cerca de 30% mais cara. ‘‘Nossa preocupação é que os postos utilizem essa gasolina premium para retirar a comum, que é bem mais barata, do mercado’’, diz.
De acordo com Miyazaki, em vez de instalar novas bombas para distribuir a premium, os postos estão apenas substituindo a gasolina comum pela premium nas bombas já existentes. ‘‘Pregamos que as pessoas devem ter o direito de optar pelo produto mais barato.’’
Na quarta-feira passada, o órgão de defesa do consumidor também enviou ao Ministério das Minas e Energia um ofício solicitando a confecção de uma nota governamental de esclarecimento à população sobre os benefícios da gasolina premium. ‘‘Queremos que fique bem claro quais são as características técnicas do produto para que o consumidor não perca na relação custo-benefício’’, diz a funcionária do Procon.
O Procon também está de olho nas campanhas publicitárias da premium. Se as informações dos comerciais não estiverem de acordo com a nota técnica pedida ao governo, o órgão pretende encaminhar uma ação civil à Procuradoria Geral do Estado ou pedir a instauração de um inquérito civil junto ao Ministério Público.

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