Curitiba A Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon) finaliza hoje uma blitz em cerca de 80 postos de combustíveis de Curitiba. Mas os preços pesquisados já devem ficar defasados, porque as distribuidoras devem aumentar o preço da gasolina amanhã. De R$ 1,5017, o produto deve subir R$ 0,03 a R$ 0,04 para os varejistas.
Os dados coletados pela blitz, que começou ontem, serão repassados para a Agência Nacional do Petróleo (ANP) investigar se os empresários do setor estão cometendo algum tipo de irregularidade comercial. A fiscalização foi motivada pela mudança repentina de preços da gasolina na Capital na semana passada. De quinta para sexta-feira, o combustível aumentou de uma média de R$ 1,55 para R$ 1,61. ''Queremos saber se o aumento foi motivado pelo repasse de preços das distribuidoras, se foi uma prática comercial comum ou se os donos de postos estão cometendo algum tipo de irregularidade'', afirmou o coordenador do Procon, Naim Akel Filho.
Akel disse que a ANP já está realizando um processo de investigação, e que os dados gerados pelo Procon podem contribuir. Se for constada alguma irregularidade como dumping (venda do produto abaixo do preço de custo) ou cartelização (acordo entre empresários para vender ao mesmo valor), a ANP poderá levar a denúncia ao Conselho de Administração de Direito Econômico (Cade).
Nesta semana o Procon também deve finalizar um relatório com base na atuação as distribuidoras de combustíveis. Para isso, os técnicos do órgão estão analisando notas fiscais e um questionário enviado para cerca dos 500 postos de Curitiba. Segundo algumas denúncias levadas ao Procon, os preços praticados pelas distribuidoras estão levando os postos à falência e favorecem as fraudes.
Os proprietários de postos negam prática de irrregularidades. ''Estava todo mundo morrendo. Estou pagando combustível com três dias de atraso. O que houve foi alguém que se conscientizou que os preços estavam muito baixo, e houve uma adequação'', disse um empresário. Segundo ele, se o posto oferecer o produto com diferença de alguns centavos, não vai conseguir vender. ''Fazemos apenas um acompanhamento de mercado e por isso os preços são semelhantes.'' Ele disse que o novo aumento das distribuidoras vai prejudicar os postos novamente. ''A gente vai ficar sem margem de lucro outra vez'', criticou o empresário.
A reportagem da Folha tentou contato com a diretoria do Sindicato do Comércio Varejista do Paraná (Sindicombustíveis), durante toda a tarde de ontem, mas ninguém foi localizado.

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