Curitiba - A Coordenadoria de Defesa do Consumidor (Procon) no Paraná iniciou, esta semana, uma fiscalização intensiva em redes de lojas e supermercados que vendem produtos eletrodomésticos no crediário. O Procon está cobrando o cumprimento do artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor, que prevê a informação prévia com todos os detalhes sobre as vendas à vista e a prazo. A fiscalização está antecipando-se ao recebimento do 13º salário dos consumidores, quando as redes de lojas iniciam a disputa desse bolo de recursos que é injetado no mercado.
Segundo o Procon, as lojas devem fazer a apresentação correta de cartazes, que contenham informações detalhadas sobre os preço dos produtos e qual a financeira que está financiando a loja, bem como a taxa de juros cobrada. A falta dessas informações induzem o consumidor a fazer uma compra errada, justificou o coordenador do Procon, Naim Akel.
Ontem, a equipe de fiscais chefiada por Akel visitou quatro redes de eletrodomésticos e uma rede de supermercado, em Curitiba. Durante esta semana, o Procon já esteve nos supermercados Big, Wal-Mart, Carrefour e nas redes de lojas Ponto Frio, Colombo e Lojas Bahia, num total de quase 20 lojas. A fiscalização constatou irregularidades como a apresentação de cartazes contendo apenas o preço à vista e o número e valor de parcelas caso a compra seja feita a prazo.
Algumas lojas não constavam informações como o preço total à vista e o preço total a prazo, para o consumidor comparar qual a compra mais viável ao seu bolso. Também não informavam se a loja trabalhava com crédito próprio ou de financeira e qual era a taxa de juro cobrada ao mês.
O Procon constatou ainda caso de cobrança excessiva de juros, quando um consumidor vinha pagando taxas de 19,7% ao mês, na repactuação de um débito não quitado no vencimento. ''É absurda essa cobrança'', disse Akel. Com isso, o juro sobre juro que incide nessa operação leva o consumidor a pagar taxas altíssimas, justificou. Segundo Akel, os juros cobrados no crediário já são elevados, variando entre 6% a 11% ao mês. ''Na repactuação, o índice quase dobra'', alertou.
Segundo o coordenador do Procon, este ano, a fiscalização começou mais cedo para evitar que o consumidor faça compras excessivas e seja induzido a erro na hora de adquirir produtos, afirmou. O Procon enviou um comunicado às redes de lojas e supermercados no início de setembro, anunciando que faria a fiscalização para cobrar as informações corretas ao consumidor.

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