Marcos Zanatta
De Maringá
O Procon de Maringá está concluindo um levantamento dos preços dos combustíveis na cidade, a pedido do Ministério Público, que promete investigar denúncias de formação de cartel. O pedido de processo sobre a possível cartelização do mercado foi feito ao ministério através do Conselho de Defesa Econômica (Cade) em abril do ano passado.
No mês passado o Procon cobrou uma resposta do ministério, que pediu então um levantamento dos preços e o endereço de todos os postos da cidade. ‘‘O problema é que a informação vazou, e notamos que alguns postos alteraram as tabelas’’, disse ontem o responsável pelo Procon de Maringá, Daniel Campos.
O preço na maior parte dos postos de Maringá ontem era de R$ 1,17 o litro, no caso da gasolina, e R$ 0,65 o de álcool. Dos 56 postos da cidade, apenas quatro não tinham os preços conferidos pelo órgão municipal. ‘‘Mas nós vamos mandar ao ministério dois levantamentos, o de antes do vazamento da informação e outro agora’’, promete.
Campos explica que o Procon não tem poder de fiscalizar o setor de combustíveis, mas entrou na questão em defesa do consumidor. ‘‘No ano passado eram muitas reclamações, e decidimos pelo menos acionar os órgãos responsáveis pela fiscalização, dando um retorno para a sociedade’’, diz Campos.
Ele acha que pelo nível de informações solicitadas agora, o ministério vai executar algum tipo de fiscalização na cidade. Se confirmado o cartel, os responsáveis podem ser indiciados criminalmente, processados e correm o risco de perder a licença para comercializar combustíveis.
Ontem a Folha tentou, sem sucesso, falar com representantes do setor na cidade. O Sindicato dos Revendedores de Combustíveis (Sindicombustíveis), indicou o nome de Vitor Camargo, que alegou estar afastado. Ele orientou a reportagem a procurar a sede do sindicato, em Curitiba, onde apenas o presidente, Roberto Fregonese, que está viajando, poderia falar sobre o assunto.
O Ministério Público também investiga os postos em Apucarana e, em Londrina, a Justiça já citou 41 proprietários de postos para audiências em setembro, após denúncia oferecida pelo promotor público. Os empresários deverão dar explicações sobre preços coincidentes da gasolina.

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