Curitiba A Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon) do Paraná está investigando a atuação das distribuidoras de combustíveis no Estado. O órgão enviou questionários para cerca de 500 postos de combustíveis e requisitou cópias de notas fiscais. Segundo reclamações feitas ao Procon, os preços praticados pelas distribuidoras estão levando os postos à falência e favorecem as fraudes.
O coordenador do Procon, Naim Akel Filho, disse que em uma semana deve ficar pronto um relatório da investigação. ''Já identificamos alguns pontos que precisam ser esclarecidos, como a prática de preços diferentes na cidade num mesmo intervalo de tempo'', relatou. Segundo Akel, a intenção do Procon é entender o funcionamento do mercado e os critérios de preço. ''Para sermos imparciais e sabermos como o mercado atua, ampliamos o foco de fiscalização, que era apenas nos postos, e estamos olhando para as distribuidoras'', explicou.
Segundo um proprietário de posto de combustível que levou a denúncia ao Procon, as distribuidoras não têm critério para definir os preços diferenciados. ''Todo mundo compra o mesmo volume. Elas fixam o preço baseado na conveniência delas'', criticou o empresário, que não quis ser identificado. Ele disse que paga para a distribuidora R$ 1,5017 pelo litro de gasolina, sendo que alguns concorrentes vendem o produto no varejo por R$ 1,519. ''Tem gente pagando mais caro na distribuidora do que é vendido no varejo, mas para lidar com a concorrência tem que abaixar o preço'', relatou.
De acordo com o empresário, as distribuidoras conseguem aumentar as vendas ao oferecer o combustível mais barato a alguns empresários. ''Mas esses postos ficam à mercê do fornecedor. A distribuidora é que determina o preço final de venda'', observou. Ele disse que levou a crítica ao Procon porque o sindicato do setor ''não tem coragem'' para lidar com o problema.
O presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, não foi localizado pela reportagem. De acordo com o diretor do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustível (Sindicom), Alisio Vaz, a política de preços é uma estratégia de cada empresa. ''Entendo o pleito dos postos, mas cada distribuidora deve ter uma razão para os preços praticados'', alegou.

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