Curitiba - O coordenador estadual do Procon, Algaci Túlio, anunciou ontem que o órgão vai abrir um processo administrativo contra cinco fabricantes de cal paranaenses que estariam vendendo o produto sem respeitar as normas técnicas previstas em lei. A denúncia foi feita pela Associação Paranaense dos Produtores de Cal (APPC), uma entidade que reúne 18 dos cerca de 40 fabricantes do insumo no Estado.
Segundo Algaci, as empresas Adrical, Rei do Cal, Nova Itália, Comacal e Buscal terão dez dias para apresentar sua defesa no processo. Elas estão sujeitas a uma multa que varia de R$ 200 até R$ 3 milhões, dependendo do porte da empresa e das irregularidades encontradas. O Procon também irá notificar os fornecedores de materiais de contrução para que suspendam o repasse dos produtos suspeitos aos consumidores.
As cinco empresas investigadas não fazem parte da APPC. As irregularidades na cal vão desde o peso das embalagens até a composição do produto, e foram encontradas após uma amostragem realizada por uma auditoria independente. ''Desde 2003, a cal deve seguir especificações ditadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A cal irregular pode causar desde problemas como bolhas nas paredes até trincas e rachaduras, diminuindo a vida útil da obra'', explica o assessor técnico da APPC, Alexandre Garay.
Os problemas causados pela cal de baixa qualidade foram sentidos na pele pelos moradores do condomínio Pitanguá, localizado na Gleba Palhano, em Londrina. Seis condôminos entraram com uma ação pedindo uma indenização contra a empresa Rei do Cal por danos causados devido a produto de baixa qualidade. ''Depois de um ano de obra, começamos a ver bolhas saindo nas paredes. Não é um problema só de pintura, elas surgem debaixo da camada de massa corrida'', reclama Vitor Hugo Soares Machado, um dos condôminos que teve sua propriedade afetada. A Folha tentou contato com a Rei do Cal, mas não obteve retorno.

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