Até sete consumidores de cidades menores da região buscam o Procon de Londrina ao dia, mas não podem ser atendidos porque o órgão é municipal. O problema se estende a grande parte do Paraná, porque só 53 dos 399 municípios do Estado têm departamentos de defesa do consumidor, ou dois a cada 15.
Irritado porque pagou por um produto que não recebeu e pelo sentimento de desassistência, o consumidor de cidades vizinhas nem ao menos ouve a orientação dos funcionários do órgão londrinense, de que pode contar com o Departamento Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PR). Nesse caso, o atendimento é pelo correio, mas a diretora estadual, Cláudia Francisca Silvano, diz que funciona. "Não é a situação ideal, mas as cartas chegam e o atendimento é feito", conta a representante do Procon-PR.
Ela afirma que um bom número de escritórios municipais foi aberto nos últimos três anos, mas que há resistência de prefeitos. "Ter um Procon não é prioridade perto dos problemas de saúde e educação. Entendo isso, mas é importante ter o atendimento ao consumidor também", diz Cláudia.
Outro problema é que Curitiba, por contar com o escritório estadual do Procon, não tem um equivalente municipal. São 20 funcionários no órgão, além de acadêmicos e estagiários, que atendem ao público e às cartas que chegam. "O ideal é que houvesse defesa do consumidor perto do cidadão, porque a inexistência acaba desestimulando as reclamações", afirma a diretora do Procon-PR.
Em Londrina, o coordenador executivo em exercício do Procon local, Klebber Cruz Duarte, explica que o órgão foi criado por lei municipal e, por contar com recursos da prefeitura, não pode atender consumidores da região. "Dar conta dos moradores de Londrina já é difícil e não dá para estender a cobertura a outras cidades", comenta.
Duarte diz que não fica à vontade em não poder receber as reclamações da região e que os funcionários do Procon chegam a ser hostilizados por isso. Porém, a média de sete pessoas que ficam desassistidas representa quase 10% dos 90 atendimentos diários na cidade, segundo números de 2013 do Procon.
Há procura mesmo em órgãos de cidades menores. Em Arapongas, o coordenador do Procon, Paulo Sérgio Camparoto, diz que tenta atender pessoas de cidades como Sabáudia, por exemplo. "Procuro restringir o atendimento à cidade, mas, se der, eu atendo", confessa. Ele afirma que a estrutura local melhorou nos últimos anos e que passará a contar com um Juizado Especial dentro da sede, mas que às vezes é preciso direcionar os "estrangeiros" a outras cidades ou ao atendimento estadual.
O mesmo ocorre em Cambé. "Recebo pedidos de informação, mas atendimentos são para pessoas de Cambé. Não abro exceção por questão de estrutura", diz o coordenador Willian Train Junior. Ele conta que Londrina absorveu parte da demanda por um tempo, mas que hoje procura orientar que se procure o Procon-PR.

Orientação
Para fazer a reclamação ao Procon-PR por carta, é preciso acessar o link em formato de envelope "Escreva ao Procon", no canto superior do site do órgão - www.procon.pr.gov.br. É necessário imprimir um formulário disponível no endereço eletrônico, que fornece as orientações sobre como pedir o atendimento e sobre documentos que devem ser enviados pelo correio.

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