Procon autua 30 lojas em Londrina
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sexta-feira, 07 de maio de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Trinta lojas de Londrina foram autuadas pelo Procon por não colocarem preço nas mercadorias expostas nas vitrines. O órgão encerrou ontem a campanha de fiscalização para promover a adequação das empresas ao Código de Defesa do Consumidor. Foram visitados 468 estabelecimentos de shoppings e do comércio central. Desse total, 6,41% lojas estavam irregulares. O índice foi considerado baixo pelo coordenador do Procon no município, Gerson da Silva. Nova campanha está marcada para os dias que antecedem o Dia dos Namorados.
A lei prevê que os produtos expostos venham acompanhados por informações sobre o preço a vista, o preço a prazo, o número de parcelas para pagamento e a taxa efetiva anual de juros. A maioria dos lojistas ouvidos não encontra problemas no cumprimento da exigência. ''É uma forma de informar o consumidor'', considera Ederson Marcelo Olivo, gerente de uma loja de roupas femininas no Catuaí Shopping.
Para ele, a exposição do preço funciona como um chamariz de clientes. ''Como a loja é bonita, algumas pessoas acham que os produtos são caros. Ao verem o preço na vitrine, descobrem que os valores são acessíveis'', disse.
Proprietário de uma loja de calçados no mesmo shopping, Ricardo Humming aprova a exigência do Procon, mas acha complicado expor todas as formas de pagamento. ''O ideal seria colocar apenas o preço a prazo. O consumidor tem capacidade para entender que o preço a vista é diferente'', acredita.
Para Andréa Guimarães Costa, gerente de outra loja de roupas femininas no Catuaí, colocar os preços na vitrine é uma forma de garantir ao consumidor o direito de se informar sobre as condições oferecidas pela loja. Ela não concorda, entretanto, com a obrigação de fixar o preço no produto. ''No nosso caso, prender a etiqueta com alfinete pode danificar a roupa'', reclamou.
No centro da cidade, a exposição dos preços funciona como uma estratégia a mais para chamar o consumidor para dentro da empresa. ''Como nossa loja fica em um local de passagem, a vitrine tem que ter produtos bonitos com preços acessíveis para atrair a atenção do cliente'', comentou Sandra Leite, gerente de uma loja de sapatos na região central. Os preços são visíveis até mesmo nas peças expostas dentro da loja. ''Tem gente que não gosta de ser atendida por vendedores. Com os preços expostos, é possível que as pessoas se informem sozinhas sobre os valores praticados''.
Na contramão dos lojistas ouvidos pela reportagem, a empresária Elza Matsumoto, proprietária de uma joalheria no centro, só expõe os preços na vitrine para atender a exigência do Procon. ''Nossos valores e formas de pagamentos são negociáveis. Por isso, acho que divulgação do preço dos produtos mais caros pode espantar clientes'', acredita ela, que também teme que a divulgação comprometa a segurança da loja.
Principais interessados no cumprimento do Código, os consumidores preferem ver os preços na vitrine antes de decidir pela entrada no estabelecimento. ''Chega a ser constrangedor entrar em uma loja que vende produtos muito mais caros do que eu posso pagar. A divulgação do preço evita essas situações'', afirmou a estudante Juliana Vines, 18.
A dentista Vera Lucia Matsumoto, 36, também gosta de ver na vitrine a média de valores praticados pela empresa. ''Já deixei de entrar em algumas lojas porque os preços eram altos. Mas quando gosto do produto, entro de qualquer jeito'', contou.


