Maringá O motorista de Maringá levou um susto ontem pela manhã, quando boa parte dos postos de combustíveis passou a vender o litro da gasolina comum a R$ 1,76, em média, e o do álcool, a R$ 0,86. Na noite anterior, o preço da gasolina estava R$ 1,48 um dos mais baixos do Estado e o álcool, a R$ 0,69. O motorista convivia com estes valores há cerca de dois meses e da noite para o dia amargou um aumento de 18,9% na gasolina e de 24,6% no álcool.
Segundo o coordenador do Procon Municipal, Adilson Reina Coutinho, a situação obrigou o órgão a determinar uma investigação, a partir de hoje, nos postos de combustíveis da cidade. ''Muitos consumidores ligaram hoje (ontem) pedindo informações sobre os motivos do aumento repentino'', disse Coutinho. O coordenador classificou o ato de ''incomum''. ''Vamos tentar constatar se existe uma combinação entre os revendedores ou se as distribuidoras resolveram reajustar o preço ao mesmo tempo'', afirmou o coordenador.
O delegado da Polícia Federal, Luciano Periceles de Paiva, responsável pelo inquérito que apura a prática de dumping (venda a preço abaixo do custo para inviabilizar a concorrência), disse ontem que está na fase final de depoimentos dos donos de postos. Paiva informou que o inquérito partiu de uma denúncia feita em novembro de 2001 por donos de postos da bandeira Texaco, junto à Procuradoria Geral da República (Ministério Público Federal) em Maringá.
Segundo o delegado, o inquérito está abrigando novos depoimentos, dando conta de um crime continuado. No início deste mês, o representante do Sindicombustíveis em Maringá, Geraldo Conte Júnior, junto com outros 12 donos de postos da cidade, registrou uma ocorrência na 9 Subdivisão Policial de Maringá, pedindo a abertura de inquérito contra 11 distribuidoras.
Conte Júnior desistiu do inquérito para levar a situação para o procedimento já aberto pelo Ministério Público Federal (MPF). O representante do Sindicombustíveis, afirmou que as distribuidoras estavam condicionando a venda de gasolina comum a R$ 1,394 para os donos de postos comercializarem o combustível a R$ 1,479. Caso os donos não concordassem, o preço de custo era maior, inviabilizando a concorrência com os demais postos.
Conforme Conte Júnior, os postos decidiram pelo aumento com o objetivo de angariar capital de giro para bancar os novos preços que serão praticados pelas distribuidoras. ''Estamos esperando novos preços a partir de hoje (ontem)'', afirmou o representante do Sindicombustíveis.

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