Levantamento realizado pela Coordenadoria de Defesa do Consumidor (Procon) esta semana, em Londrina, não deixa dúvidas de que os postos de combustíveis da cidade estão atuando em cartel. A afirmação é de Martiniano Tito do Valle Neto, coordenador do órgão, que chegou a essa conclusão após analisar os letreiros de preços de 46 postos fotografados por funcionários do Procon.
''Mais de 80% dos postos apresentou preços entre R$ 2,36 e R$ 2,37 para a gasolina. No caso do álcool, a variação é entre R$ 1,56 e R$ 1,57. É evidente que há ajuste de preços'', afirmou, acrescentando que apenas três postos estão comercializando gasolina a R$ 2,35 e o álcool a R$ 1,35.
Outra constatação é que os postos de bandeira branca estão vendendo combustível pelo mesmo preço que os postos de bandeira (que comercializam marcas fixas). ''Além disso, alguns donos de posto se aproveitam da paridade de preços para vender combustível de péssima qualidade e álcool misturado com água. A ação do cartel beneficia ainda mais a ação dos fraudadores'', opinou.
A blitz do Procon registrou os preços em 41,8% dos postos existentes em Londrina, o que segundo Tito Valle, permite a elaboração de uma amostra considerável. O resultado do levantamento será encaminhado na semana que vem ao Ministério Público (MP) e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que avalia a formação de cartel e pode punir os postos.
''Já existe uma ação em andamento no Ministério Público. Vamos fazer um pedido de providências. O levantamento do Procon servirá de subsídio para reforçar a ação já existente ou pode até mesmo levar à abertura de um novo inquérito policial na cidade'', disse o coordenador do Procon.